terça-feira, 30 de outubro de 2007

Rádio e televisão

Curiosidades
Postado por Larissa Barros


1902: Enrico Caruzo faz a primeira gravação de uma música;
1923a primeira rádio do Brasil, a Rádio Sociedade, no Rio de janeiro;
1927: Surge : Estréia nos cinemas, o primeiro filme sonoro, chamado "The Jazz Singer";
1949: A empresa RCA, dos Estados Unidos, anuncia a criação da TV em cores;
1951: É inaugurada oficialmente a TV Tupi - primeira estação de televisão brasileira;
1973: Surge o primeiro videogame;
1977: Estréiam "Guerra nas Estrelas" e "Os Embalos de Sábado a Noite", que marcaram uma geração;
1914: Charles Chaplin, cria o personagem Carlitos;
1926: A televisão é inventada;
1938: Orson Welles transmite uma invasão marciana de mentira pelo rádio. Milhares de pessoas levam a sério.
1940: "... E o vento levou" ganha o Oscar de melhor filme;

A Revolução da prensa grafica

Postado por Carmen hulmides

Em 1450, a invenção de uma prensa gráfica por Gutenberg na Europa, modificou o rumo da história da leitura. Não era uma novidade absoluta, pois na China e no Japão já havia impressão desde o século VIII, com blocos de madeira talhados imprimindo uma única página — mas a invenção ocidental possibilitou o surgimento de uma nova ordem. Foi o fim do monopólio do clero sobre textos e o início da popularização de um artigo que se tornou, com o passar dos tempos, rentável, além de uma fonte de transmissão de informações variadas e um objeto de lazer.

Apenas cinqüenta anos após o feito de Gutenberg, 13 milhões de livros circulavam em uma Europa de 100 milhões de habitantes. Mas, como qualquer novidade, o livro enfrentou resistência. Os escribas, ameaçados pela nova tecnologia, eram contra a impressão gráfica. Para a Igreja, era uma ameaça, pois permitiria aos leitores que ocupavam baixa posição na hierarquia social e cultural do clero estudar os textos religiosos por conta própria, não mais confiando no que as autoridades afirmavam. Até os jornais (que hoje apóiam a difusão do pensamento) no século XVII veriam problemas: na Inglaterra, na década de 1660, publicavam que “mais males que vantagens eram causados ao mundo cristão pela invenção da tipografia”. E o poeta inglês, Andrew Marvell, em 1672, viria a dizer: “Ó Tipografia! Como distorcestes a paz da Humanidade” (Burke, 2004: 28).

Voltemos ao passado: a tradução da Bíblia para o alemão por Lutero, entre 1523 e 1530, foi importantíssima para a difusão dos textos que se iniciou na Idade Moderna, dando início ao declínio do latim para a comunicação escrita. No campo da política, em 1539, o rei da França, Francisco I, ordenava que os documentos legais fossem escritos em francês, coincidindo com o fortalecimento de um nacionalismo emergente.

O uso da escrita em língua vernácula também foi de extrema importância para o sucesso da comercialização do material impresso e, contrastando com a Idade Média, em 1550, houve um boom de títulos. Com isso, surgiu a necessidade de ampliação de bibliotecas, além da criação de catálogos, não apenas para facilitar a divulgação do material impresso, mas também para tornar a escolha do leitor uma tarefa mais simples.

Mais adiante, no século XVII, resenhas das publicações passariam a ser feitas para ajudar os leitores a decidirem sobre o que ler.

Entre os séculos XVI e XVII, a Igreja Católica criou o Index dos Livros Proibidos: um catálogo de obras que os fiéis estavam proibidos de ler, como um antídoto ao protestantismo e à impressão gráfica. Foram proibidos três tipos de livros: heréticos, imorais e mágicos. Podemos imaginar o que seria da série Harry Potter ou de O Código da Vinci, se o Index ainda estivesse em vigor..

Na verdade, o Index escondia o medo de que as pessoas começassem a pensar por si só — como aconteceu a Mennochio, o moleiro italiano, considerado herege pela Inquisição por pensar diferente do outros porque sabia ler e que, por isso, foi executado na fogueira em 1599. Mas não apenas a Igreja católica promoveu a censura.

Embora de forma menos eficaz, certos livros também eram proibidos aos protestantes. Tal ineficiência deve-se à sua fragmentação em diferentes igrejas: ao contrário da obediência ao Papa, aos protestantes houve divergências entre o que era proibido ou não.

A indústria de livros se desenvolvia continuamente e a comercialização do lazer incluía a leitura. Livros de piadas ou romances eram impressos e bem consumidos pela população. Era o princípio do conceito de leitura como fonte de prazer.

Com a prensa e a difusão dos textos escritos, surgiu um público leitor e um novo comuns são sobre a ausência da leitura na vida dos alunos.
Parecendo esquecer das novidades de nossa época, muitos depreciam a tecnologia e a alta comunicação existente entre eles — no Orkut, por exemplo.

Se hoje vivemos um período de liberdade de expressão, devemos àqueles homens e mulheres que desceram do muro da conformidade e mudaram o mundo, literalmente. Se antes, o livro pertencia aos nobres e ao clero, o povo pôde, finalmente, ter acesso a ele.


Popular entre as elites,o livro atingiu a um público novo e ávido,no mundo moderno.O interesse do camponês pela leitura coincidiucom a Reforma Religiosa, com as Luzes e a mudança da ordem européia.
Contudo, sob resistência ou não, houve uma explosão de informação, algo semelhante ao que temos em nossos dias com a Internet: muitos amam, muitos não compreendem, mas é inegável a quantidade de informação que por ali circula.
uma tarefa mais simples. Mais adiante, no século XVII, resenhas das publicações passariam a ser feitas para ajudar os leitores a decidirem sobre o que ler.

No entanto, vale lembrar que as mídias oral e escrita coexistiam e interagiam na Europa dos séculos XV e XVI. A suposta “morte” da tradição oral não ocorreu, até porque só uma minoria da sociedade era letrada, enquanto a comunicação oral se fazia em dialeto local. Havia os sermões, importantes tanto para católicos quanto para protestantes (Lutero considerava a nova técnica “a maior graça de Deus”, mas a igreja, “uma casa da boca”, expressando a importância dada à fala); o ensino nas universidades, baseado em palestras, debates ou disputas que testavam a habilidade lógica dos estudantes; o canto (especialmente a balada, canção que contava uma história); os boatos (estudados cronologicamente por Lefebvre, que os usou como evidência das tensões sociais).

A questão que nos move é: Gutenberg promoveu uma revolução? Para Marshall McLuhan (1962), houve a mudança do foco auditivo para o visual: a “cultura das publicações” — ligação entre a nova invenção e as mudanças culturais no período. Segundo Elizabeth Eisentein (1979), a impressão gráfica foi uma “revolução não reconhecida”, seu papel como agente de mudança não foi devidamente valorizado.


No entanto, ao observar a materialidade e os modos de composição do livro, Roger Chartier (1999) afirma que “a transformação não é tão absoluta como se diz: um livro manuscrito e um livro pós-Gutenberg baseiam-se nas mesmas estruturas fundamentais – as do códex”. A montagem dos cadernos, a paginação, numeração são heranças que o livro moderno carrega. E, curiosamente evidencia-se hoje que, antes do códex, o texto corria lateralmente, no pergaminho; agora corre verticalmente na tela do computador. Vivemos a era pós-códex.

Talvez a grande revolução tenha sido a mudança da língua utilizada. O latim limitava muito o acesso aos textos. A popularização do livro se deu a partir do uso das línguas vernáculas. Se todo o processo de impressão mantivesse a comunicação em latim, não teríamos a tal explosão de títulos. O pensamento só se difundiu e tornou-se passível de críticas ou discussões a partir do momento em que as pessoas entenderam o que estava escrito.
Isso, sim, foi importante para o leitor e, ao mesmo tempo, perigoso para os críticos da prensa.

Será que Gutenberg imaginou que seu invento, possibilitando a difusão do pensamento através dos textos, causaria tantos conflitos?

A midia e a esfera publica

Postado por Elton Sandes

O século XVIII afigura-se como a aurora da era produtivista, que se marca com a
revolução industrial. Desencadeia-se o processo da Civilização. Cria-se um novo tipo de
sociedade amplamente aceito e adotado. O fenômeno revolução se expande e aparecem termos, em certo aspecto similares, como evolução, emancipação, desenvolvimento. Para Marx, a emancipação do proletariado é o segredo da revolução do século XIX, em que se sublinha o caráter individual do trabalhador. Da mentalidade produtivista do século XVIII, em que ciência e tecnologia se unem, chega-se ao século XX. Surgem manifestações da cultura de massa, como o romance-folhetim e o cinema. Os tempos modernos, de Chaplin, ilustra a ambiência da época. O trabalho se torna cada vez mais fragmentário. O cidadão transforma-se em consumidor, diante da “eficácia” da publicidade.
Palavras-chave: cultura, comunicação, revolução, burguesia, tecnologia.

O Século das Luzes vai ser o Século da Civilização. Montesquieu, Voltaire, Kant, Schiller e
outros acreditaram que seus contemporâneos estavam criando uma sociedade nova, a Civilização, e que os hábitos desta sociedade seriam finalmente adotados por toda a humanidade.
Ao contrário do século XVII, não se terá medo de pôr em prática os resultados das
experimentações científicas, do ponto de vista do que “concerne às suas conseqüências nefastas”.
Os homens se superam e cultivam um novo deus, a moral. Como diz Nietzsche:
“(...) Vamos, coragem, nós, os homens superiores! Pela primeira vez, agora, a montanha lança o grito da parturiente, pois ela concebe o futuro luminoso.” 3
As relações do homem com a natureza se modificam. Deus, o maior perigo, morreu.
O homem se torna o dono da natureza, e vai agir sobre ela a fim de que ela satisfaça suas
necessidades. Está-se na aurora da era produtivista: a revolução industrial acontece. Nasce na Inglaterra no século XVIII, assim como ali também o termo civilização. Esta terá as nuanças do otimismo dos sábios do Século das Luzes, e civilização designará “o adoçamento dos hábitos, a urbanidade, a polidez e a divulgação dos conhecimentos”. Quase se aproxima de um Eldorado, onde “tudo vai bem”. Tinha-se um tesouro entre as mãos que visava aos seres humanos desde a América até a Europa. Vivia-se uma época de desvelamento, em que o homem, reagindo contra a hipocrisia, podia pôr-se a nu. Tudo estava pronto para que surgisse a liberdade, uma vez que teve lugar a criação de um espaço coletivo. Passou-se a pensar no homem. Como diz Hannah Arendt, “a toda refeição tomada em comum, nós convidamos a liberdade a se sentar. O lugar fica vazio, mas a mesa continua posta.” Também a Revolução Francesa tem lugar no século XVIII, e se marca de outras pequenas revoluções consideradas tesouros perdidos e que não se inscrevem numa continuidade com influência sobre o presente. Entretanto, tem-se de reconhecer que ela se constituirá como “o fenômeno fundador da história contemporânea”. Se a Inglaterra e os Estados Unidos moldaram a economia mundial, coube à França fornecer a linguagem com seus personagens e as categorias da vida política. Ela funda a idéia de que os homens é que fazem a história, contrariando, naturalmente, o fetiche do capital, hoje encarnado na globalização. Para atestar sua importância, a palavra revolução se tornará usual no léxico da época e marcará a era da Modernidade. Terá múltiplos significados, empregada em expressões como “revolução industrial”, “revolução mundial”, “revolução cultural”, “revolução científica”, “revolução da esperança”.
Ao longo dessa amplitude de significados, afirma-se que ela é o resultado das “trocas
lingüísticas dos tempos novos”. A revolução aparece inseparável das idéias de velocidade e
vertigem, na dinâmica do tempo em que ela se experimenta.
Embora todos os ideais revolucionários não tenham sido concretizados, o termo revolução,
confundido com evolução, funciona como sintoma de um processo social de vanguarda,
impulsionado pela industrialização.
A fecundidade dos projetos do século XVIII engendrará uma riqueza de expressões
correspondentes. Com o termo revolução, além de evolução, aparecerão emancipação e
desenvolvimento, pertencentes à mesma família semântica.
O termo emancipação foi usado pela filosofia inglesa do século XVIII para ser aplicado a
toda a humanidade, “destinatária de uma ação liberadora, pois não há maior crime que o de manter os homens na condição de animais domésticos”.
Emancipação vai ser, nessa época, a palavra-chave de referência para todos os oprimidos,
tais os judeus, os negros, as mulheres, os proletários.
Marx considerou a “emancipação do proletariado” como o “segredo da revolução do
século XIX”, sublinhando o caráter individual do trabalhador, e fazendo com que o trabalho da produção deixasse de ser uma propriedade de classe.
O século XX retorna à Bíblia e legitima a emancipação, oferecendo-se como exemplo a
Teologia da libertação na América Latina.
A emancipação é o acesso ao “reino da liberdade”. Esta expressão, que aparece em
Santo Agostinho e São Tomás de Aquino, está também em Goethe em oposição ao reino da
natureza e em Nietzsche, ao lado da expressão “natureza livre”. Antes da Revolução Francesa, Schiller já se referia ao “reino da mais perfeita liberdade”, “no seio do reino da verdade, da ciência e da arte”.
Numa óptica marxista, o reino da liberdade tem por objetivo “as transformações radicais
da sociedade”; privilegia-se o reino da necessidade em detrimento do reino da liberdade, uma vez que é através da história natural do homem que se focaliza o processo de sua emancipação .
É no curso do século XVIII que o emprego das palavras desenvolvimento e evolução se
evidencia. Herder propôs um conceito de desenvolvimento organológico, que traz à luz “o avanço progressivo dos minerais, das plantas, dos animais até o homem histórico, segundo o plano de um cosmos criado por Deus”.
Segundo o espírito filosófico da época e de uma óptica kantiana, se há para a história do
mundo um plano já formulado, ele não foi concebido por um homem, porque este não é nem totalmente instintivo nem capaz de criar um “plano cosmopolita consciente”. Somente a natureza vai assegurar o desenvolvimento da humanidade, que terá como sujeito, não mais o homem por causa da brevidade de sua vida, mas o gênero humano.
Entretanto, para que o desenvolvimento se concretize é preciso que se recorra à razão e,
portanto, á cultura, à formação, ao exercício e à educação. “A natureza se serve do antagonismo entre os homens, isto é, da oposição entre a pulsão social e o desejo de singularização nos indivíduos e nos Estados, para consumar o telos humano em uma sociedade cosmopolita”.
As máquinas e os aparelhos são construídos à imagem do organismo humano: cada
elemento está em relação calculada com os outros, a fim de permitir o funcionamento do todo.
Infelizmente, se a industrialização toma como modelo o organismo humano, ela o supera e se torna a ele hostil. A produtividade vai ser o fim sempre perseguido, com o exercício de uma mentalidade quantitativa, e é depois da Reforma que se vai verificar, na Europa, uma maior preocupação de exatidão “na medida do tempo” e “das distâncias”.
Minas, usinas e transportes serão os herdeiros de uma política que visa, principalmente,
para seu desenvolvimento, aos cálculos e à performance dos instrumentos de precisão.
Pode-se dizer que, a partir do século XVI, o mundo entra em ebulição, dominado pela
idéia fixa do rigor matemático e da experimentação.
Os filósofos também foram influenciados pela revolução científica. No Discurso do
Método. Descartes assinala que “as novas ciências permitiram aos homens do futuro utilizar a força e os efeitos do fogo, da água, do ar, dos astros, do céu, e de todos os outros corpos que nos rodeiam, tão claramente como nós conhecemos os diversos metiês de nossos artesãos (...); e dessa forma nos tornaremos mestres e possuidores da natureza”.
Esta afirmação funcionou quase como uma profecia que se realizou no curso do tempo.
No século XVIII viveu-se uma maior aceleração provocada pelo aumento vertiginoso da
densidade demográfica e do crescimento acelerado da produção. Estava-se “num período de
progresso excepcional”, e respirava-se uma atmosfera geral de otimismo. A fineza do gosto era uma constante nessa época. Vai-se intensificar a demanda de obras de arte com o uso de peças domésticas que proporcionavam conforto mas permaneciam artesanais.
Entretanto, isto já começava a ficar em desacordo com a rapidez que passou a ser
preconizada na época; e a produção, medida e equilibrada, que se instalara na Europa buscando a aceitação e a beleza, opõe-se, do ponto de vista do custo, a artigos de mais baixo preço, decorrentes de maior oferta, em vista da eficiência dos recursos tecnológicos.
Para acompanhar o “progresso vigente” instaurado pela revolução industrial no período de
1785 a 1860, teve-se de recorrer a uma maior força de trabalho da qual o homem será a mola.
Apesar do otimismo dos filósofos das Luzes, tem lugar na França o momento da grande
indústria, em que a exploração do ser humano é levada ao paroxismo: os salários são comprimidos ao extremo e é revoltante o regime de trabalho a que se submete a mulher e a criança. De 10.000 trabalhadores, incluídas estas duas categorias, 8.980 deveriam ser reformados por questões de saúde. Depois de um ano de discussão é promulgada uma lei, em 1841, que proibia de fazer trabalhar nas fábricas “perigosas ou insalubres” as crianças de menos de oito anos. A lei previa uma jornada de trabalho de oito horas para crianças de oito a doze anos, e de doze horas para os nmaiores de doze anos. Esta lei só seria posta em vigor em 1874. Nesta mesma ocasião a idade mínima para o trabalho passa a ser de doze anos. Em 1892, o trabalho noturno será proibido para6 as mulheres. A jornada mínima de dez horas e o repouso semanal só serão impostos por lei em 1906.
O balanço do fenômeno da revolução industrial acusa, muitas vezes, as vantagens materiais, e esquece freqüentemente a face exploradora do longo tempo passado, presente ainda em alguns países.
Está-se no século XIX. Vem-se do “melhor dos mundos” onde a burguesia bicéfala se
divide entre a “boa” e a “má” natureza. Seguir-se-á o mesmo critério para categorizar o homem: o bom, “sublime como força produtiva”, e o mau, “dotado de forças más”. Nota-se já, o artificialismo dessa classificação, pela qual o homem perde sua humanidade para ser concebido como peça de uma engrenagem econômica.
A via do progresso vai constituir o principal móvel do século XIX e se apóia na tríade
ciência, técnica e indústria. E em nome desse conjunto transforma-se o trabalhador feminino e o infantil em alguma coisa esvaziada de qualquer humanidade: a força de trabalho. No quadro político-industrial, o que importa é o percentual de produção de cada trabalhador. Este é um caso tocante em que o “progresso da civilização” cria o “progresso da desigualdade”. Numa óptica moderna, ciência e técnica não se podem dissociar. Funcionam em reciprocidade. A tecnologia será o meio que permitirá à ciência experimentar os fatos; e os recursos tecnológicos estarão sempre se renovando. E se estabelece um círculo vicioso. O período de 1815 a 1914 teria sido o mais estável e pacífico do ponto de vista internacional. Chegou-se mesmo a pensar que o “novo progresso industrial seria um instrumento de paz”. Mas ainda no século XIX começam a surgir agitações proletárias amargas: era a luta entre ricos e pobres. Trabalhadores e burgueses se opõem e a luta de classes acontece.
A paz internacional se torna utopia, e a partir do fim daquele século a violência se torna fato comum, envolvendo inclusive lutas raciais.
Entre 1914 e 1930 a ciência e a tecnologia se unem para a produção de armamentos muito
perigosos, que acabam por provar sua eficiência contra o próprio homem.
Um balanço sucinto do século XX indicaria, entre outras, conseqüências como:
– o desequilíbrio da distribuição das riquezas mundiais;
– a autodestruição da vida por um crescimento demográfico desordenado, acompanhado
de graves problemas de habitação e higiene;
– a fragmentação do saber e a dificuldade de apreender a experiência da vida como uma
totalidade, gerando uma atitude nova que denotará o enfraquecimento da dignidade e do respeito humano.
A ciência e a tecnologia se hipertrofiam em detrimento da vida humana na sua globalidade.
Esta é oprimida em nome de um pretensioso projeto de reconstrução do homem, a partir de uma natureza objetivada e sem vida. Arrebatou-se do homem sua característica espiritual, colocando-o como paciente de uma ideologia materialista de progresso; esta se desenvolve segundo um grau de complexidade crescente que a evolução urdiu, desde a matéria inorgânica até a consciência de um sistema universal, despreocupado com a importância da existência da comunidade dos seres humanos, que se torna, cada vez mais, uma empresa sem sujeito.
A violação dos limites da organização humana se transforma em um crescimento
exponencial dum saber acumulado nos bancos de dados, que praticamente nenhum cérebro
humano jamais poderá dominar. Segundo Morin, este conhecimento provoca, com a
desorientação, a queda da própria ciência.
Como conseqüência inevitável da era tecnológica surge um tipo de cultura que se chamará
cultura de massa.
Do ponto de vista etimológico, o termo cultura é transposição direta do latim culturam.
Inicialmente, conservou, em idiomas europeus, o significado original: “o cultivo ou o cuidado de alguma coisa, como, por exemplo, grãos ou animais”. Sabe-se que, no início do século XVI, o sentido transferiu-se do âmbito agrícola para o humano, como “processo de desenvolvimento mental”. Entretanto, só a partir do fim do século XVIII e início do XIX, cultura passa a designar “um processo geral ou o produto deste processo”.
Embora se reconheça que o conceito de cultura cumpriu um longo trajeto histórico,
privilegia-se, modernamente, dentre outros conceitos, aquele que concebe a análise cultural como o estudo da constituição significativa e da contextualização social das expressões lingüísticas, gestos ações, obras de arte, etc. Esta concepção, que Thompson denomina concepção estrutural de cultura, fornece elementos sobre os quais pode-se começar a refletir acerca do embasamento da manifestação e desenvolvimento da comunicação de massa. Não se nega que a comunicação de assa implica tecnologia e mecanismos poderosos de produção e transmissão. Mas isso não teria
sentido se não houvesse expressões significativas a serem produzidas, transmitidas e recebidas por
8
meio de tecnologias desenvolvidas pela indústria da mídia. Dessa forma, o surgimento e a evolução
da comunicação de massa podem ser vistos como uma transformação fundamental e ininterrupta
dos modos como as formas são veiculadas nas sociedades modernas. O que define a cultura dos
tempos de hoje como moderna é o fato de que, há quase cinco séculos, a produção e a circulação
de formas simbólicas se tornaram cada vez mais “parte de um processo de mercantilização e
transmissão” que se diz, agora, de caráter global.
Segundo Morin, numa óptica sociológica, o termo cultura aparece como o resultado de
uma mistura entre razão e emoção, que vai “estruturar”, “orientar”, “construir”, “operar”, “suprir”.
Seu campo de ação se estende entre o real e o imaginário, numa simbiose do instintivo com o
representativo. Seu código ultrapassa o simplesmente objetivo. Ainda com Edgar Morin, a cultura
oferece um apoio concreto ao que é imaginário, e um apoio imaginário ao que é concreto.
Quanto a massa, Morin diz que nos Estados Unidos o termo expressa uma idéia de
multiplicação ou de difusão maciça; na França, como termo de conversação, engloba ao mesmo
tempo o conjunto e a média da população. O termo massas provém do vocabulário político
revolucionário, que adquiriu os favores nostálgicos e ardentes de uma parte da intelligentsia.
Para Jean Baudrillard, será o “referente esponjoso”, “realidade opaca e translúcida ao
mesmo tempo”, “nada”; este autor a caracteriza como produto de nossa modernidade, “fenômeno
altamente implosivo, (...) irredutível a toda prática e teoria tradicionais, talvez mesmo, a toda
prática e a toda teoria simplesmente”. 7
Os anos 60 serviram como marco de dois tempos diferentes. No primeiro, o privado e o
cotidiano são alijados da História, em sentido imediato, refletindo-se, quiçá,
posteriormente, no universal. Como ainda registra Baudrillard, “até lá só se pode deplorar o recuo
das massas à sua esfera doméstica, sua recusa da História, da política e do universal, e
9BAUDRILLARD, J. (1982). p. 7 e 8
sua absorção na cotidianidade embrutecida do consumo. No segundo, a vida com suas
ocorrências banais e tudo o que se processa como apocalíptico passam a ser sublinhados, se
revolucionam”. 10
Da mentalidade produtivista do século XVIII, em que a ciência se une à tecnologia, chegase
ao limiar do século XX. Na literatura, as lendas e epopéias arcaicas transcritas no quadro
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realista das grandes cidades modernas dão nascimento ao romance-folhetim. Deste vai-se originar
uma manifestação da cultura de massa, o cinema, que funcionará como diversão para o povo. Os
filmes serão maravilhosos ou cômicos; os personagens transcendem o comum da humanidade. As
condições de vida das camadas populares nos Estados Unidos e na Europa melhoram e o número
de componentes da “sociedade técnico-urbano- burguesa” aumenta.
De outra parte, também têm lugar os filmes críticos, e estes mostram a outra face da
realidade no princípio do século, caso de Os tempos modernos, de Charles Chaplin.
Segundo Roland Barthes, para Carlitos o proletário é ainda um homem que tem fome; as
representações da fome são sempre épicas: tamanho desmedido de sanduíches, abundância de
leite, frurtos que se jogam fora negligentemente, apenas mordidos. Por ironia, “a máquina de
comer”, de essência patronal, só fornece alimentos em série e visivelmente em processo de
deterioração.
Está-se em Hollywood, onde se pode sentir “a certeza do espaço, do crescimento, da
liberdade, do futuro”. Apesar de toda essa ambiência ideal, Carlitos questiona, com seu estilo
cáustico, “as belas certezas americanas”.
Carlitos é a caricatura séria de um homem inocente. E é justamente a partir de seu ridículo
e de sua alienação que se começa a refletir sobre o semelhante. A alimentação não está ligada à
necessidade de viver, se dá de comer como se lubrifica uma máquina, para garantir seu pleno
funcionamento. Organiza-se, então, uma “máquina de comer”, ignorando-se a natureza humana
que não se reduz, na função alimentar, aos meios indispensáveis à deglutição. Carlitos não verá
jamais sua fome satisfeita. Mas não tem consciência disso e não reage. Elabora-se uma estratégia
para que o personagem reconheça
10Ibidem
sua verdadeira condição, “quando o pobre e o proletário coincidem sob o olhar (e os golpes) da
polícia”.
Historicamente, Carlitos, por sua falta de jeito, é o proletário “revoltado” contra a máquina,
fascinado pelo problema do pão, no sentido próprio do termo, mas ainda incapaz de aceder ao
conhecimento das causas políticas e à exigência de uma estratégia coletiva”. Visando ao homem
10
acima de tudo, Carlitos relativiza o resto, o que faz com que cada um seja levado a refletir sobre a
humanidade de seus atos.
Chaplin põe diante de nós um personagem que não tem a devida capacidade para
dimensionar a conseqüência de seus atos, conseqüência que é apreendida mais agudamente por
quem está diante de si.
Até que ponto se poderia considerar Os tempos modernos como um produto de cultura
de massa?
Se se levar em conta, linearmente, as características desse tipo de cultura, ver-se-á que o
filme, ao invés de contê-las, critica-as, se opondo a elas e submetendo-as ao veredicto público.
Entretanto, se se considerar o agente, o assunto e o objetivo da comunicação no sentido de
causar algum efeito, chega-se a uma concepção mais abrangente da cultura de massa, que leva em
conta a relação produção-criação (quem), a temática cultural (que), e, enfim, o público, com o
universo do consumo cultural e das camadas sociais que realizam este consumo (a quem). O efeito
vai referir-se ao problema da função ou da disfunção da cultura de massa nas sociedades
modernas onde ela se desdobra.
Desse ponto de vista, pode-se dizer que Os tempos modernos é uma realização da cultura
de massa. Quem, no entanto, ignora que, de maneira geral, a cultura de massa é controlada pela
chamada indústria cultural, que deve limitar e adaptar os produtos aos interesses da empresa?
Dessa forma, ao contrário de Os tempos modernos, ter-se-ão obras nas quais predomina a
produção, em detrimento da criação.
O cinema falado, sucessor da primitiva cena muda, atinge o apogeu no pós-guerra, e
Hollywood chega ao clímax da celebridade. A grande preocupação passa a ser a felicidade
individual que consiste na tríade amor – sucesso – bem-estar. Insufla-se um otimismo gratuito,
em que predomina um romantismo ideal, coroado sempre por um “final feliz”. As estrelas da
época aparecem com uma dimensão sobre-humana e são idolatradas. Suas fotos se tornam
fetiches para os aficionados admiradores. O que é específico e autêntico se substituía por uma
cultura artificial, forjada pelos meios de comunicação de massa.
Pode-se sublinhar notadamente o efeito global dessa cultura sobre as sociedades mais
pobres, como, por exemplo, a brasileira. O fenômeno se torna sonho e evasão, engendrando,
imaginariamente, novas reivindicações sociais.
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Até os anos 50 pode-se dizer que a cultura de massa gira principalmente em torno da
indústria cinematográfica. A partir daí, ela se torna policêntrica. Surgem os clubes de férias, que
provêm do sufocamento da vida quotidiana urbana, seja pela dedicação ao trabalho e às
obrigações, seja pela problemática da vida privada. A ilusão da felicidade hollywoodiana começa
a se desfazer em torno dos anos 60. Registra-se uma crise de freqüência às salas de projeção que
provoca um remanejamento do esquema cinematográfico de produção-criação-distribuição.
Vai-se ver surgirem dois tipos de ambiente: o das superproduções, que têm por fim tocar
um grande público, conquistado por uma publicidade maciça; e o das produções mais elaboradas
esteticamente que atinge o pequeno número que compõe a “jovem intelligentsia criadora”. Esta
estará voltada para as peças cinematográficas que não seguem os estereótipos da indústria cultural
e se permitem, graças a isso, maior liberdade de expressão.
A uma felicidade utópica se substitui uma focalização mais realista da vida. Os problemas
que causam mal-estar tendem a ser tratados “na grande imprensa ou na televisão”, onde serão
postos à luz assuntos como “casal, divórcio, contracepção, doença, etc”. A decadência das stars
de Hollywood se reflete sobre os espectadores, que vêem desfeitos seus sonhos dourados.
Salvo exceções, na sociedade moderna a vida de trabalho se torna cada vez mais
fragmentária. Por causa das opressões da vida quotidiana, cria-se um novo horizonte de felicidade,
que Morin chama a utopia concreta: a casa, o carro, a televisão.
A casa será o refúgio face às coações externas. É o lugar onde o indivíduo moderno quer
retomar suas raízes: ele aspira a ser dela o proprietário, não só por razões econômicas, mas para aí
construir os laços de amizade a que tem direito. Ele a equipa com robots, escravos
eletrodomésticos, buscando fazer dela um pequeno paraíso de conforto, bem-estar, com a melhor
apresentação possível.
A televisão se constituirá como a abertura privada para o mundo, trazendo todas as
notícias e contribuindo para “fazer a cabeça” do telespectador.
O carro, se bem que isole seu proprietário da multidão, o põe em contato com algumas
pessoas selecionadas por um critério afetivo. Participa, também, da palavra de ordem desta era
burguesa o gozo material.
Essa tríade vai ser o repositório da cultura de massa, propagado pela Imprensa falada
(rádio), escrita e televisada.
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O cidadão transforma-se em consumidor, e, como Marx afirma, o produtor cria o
consumidor. Ele não cria somente o objeto.
O consumidor é o produto de uma longa e complexa dialética histórica que desenvolve o
individualismo moderno no plano burguês. Ao mesmo tempo em que o sistema industrial traz a
este individualismo a ideologia da euforia e dos espetáculos de evasão para “integrar o homem” ,
faz com que uma parte deste individualismo, mediado pela intelligentsia engajada no ciclo de
produção da indústria cultural mas insatisfeita, coloque problemas que estão na origem de sua
própria crise.
Apesar da carga de artificialidade fabricada pelo produtor, o consumidor envereda,
também, pouco a pouco pelos caminhos da vida, traçando um itinerário histórico. Se bem que o
indivíduo não seja a história, ele a faz sem ter consciência de sua direção.
Pode-se constatar e explicar a chegada de fenômenos como burguesia, modernidade,
revolução industrial, mas não se pode prevê-los. Face ao desconhecido, e mesmo por causa dele,
é preciso que o homem desenvolva uma resistência ao status quo, para que, dentro das
possibilidades, possa atuar como agente. É dominando o possível que se pode estar preparado
para o impossível.
A ambição humana tem dado muitos exemplos de loucura: as nações são hipnotizadas pela
idéia fixa do poder, que se tornou essencial, não para que elas sobrevivam, mas para que não
sejam destruídas. Ser apenas poderoso não é suficiente. É preciso que se seja o mais poderoso
para se fazer temer.
A cobiça faz do sistema econômico contemporâneo uma cegueira humana. Esse sistema,
ao invés de concorrer para a conscientização do mundo em que se vive, marca o mundo pela
oferta de receitas de ilusória realidade. Registra-se, entretanto, uma minoria que, em geral, se
compõe de intelectuais e que tem uma postura crítica do sistema que lhe é imposto. Isto,
principalmente.
Quando se fala de consumo, está-se diante de um fenômeno complexo que mobiliza grande
número de fatores. Fabricam-se produtos para o consumo e também consumidores. As empresas
produtoras tomam como encargo a responsabilidade de atingir a meta da eficácia. E o processo
publicitário cumpre sua trajetória, elaborada com muita inteligência e criatividade nos mínimos
detalhes, sensibilizando o receptor-consumidor para que ele cumpra seu papel.
13
Pierre Bourdieu, em palestra a empresários internacionais, em Paris, publicada no caderno
Mais (Folha de São Paulo, 17.10.1999), afirma que a opção não é entre a “globalização”, isto é,
a submissão às leis do comércio, portanto ao reino do “comercial”, que é sempre o oposto do que
se entende de modo mais ou menos universal por cultura, e a defesa das culturas nacionais ou essa
ou aquela forma de nacionalismo ou localismo cultural. Os produtos kitsch da “globalização”
comercial, a do jeans, da Coca-Cola, ou do seriado, ou a do filme comercial de grande orçamento
e efeitos especiais, ou ainda a da world fiction, cujos autores podem ser italianos ou ingleses, se
opõem em todos os aspectos aos produtores da internacional literária, artística e cinematográfica,
cujo centro está em toda parte e em lugar nenhum, embora tenha sido por muito tempo, e talvez
ainda seja, Paris, lugar de uma tradição nacional de internacionalismo artístico, ao mesmo tempo
que Londres e Nova York.
Giddens acrescenta que como um fenômeno pluridimensional e inovador, a globalização
põe em jogo um sem número de formas de risco que vão desde as envolvidas na economia
eletrônica global até a vida cotidiana de cada um. Conduzida pelo Ocidente, a globalização
continua a carregar a marcante influência do poder americano, político e econômico, com extrema
desigualdade em suas conseqüências. Mas, numa decorrência de fatos em escala global, ela afeta
também os Estados Unidos.11
Paradoxalmente, a globalização estimula a expansão da democracia e denuncia os limites
das estruturas democráticas mais conhecidas.

Do vapor a eletricidade

Postado por Paulo Victor
O vapor e a eletricidade ambos foram responsáveis pelo desenvolvimento que o mundo sofreu, pois graças a essas duas fontes de energia as indústrias passaram a ter um numero significativo em suas produções e a criação de ferrovias, navios, carros, fazendo com que a distancia se tornasse apenas mais um obstáculo vencido, colocando o mundo mais unido e dando inicio a um processo de globalização.
A Europa foi o principal cenário desse avanço industrial, pois no momento era o berço do mundo onde as grandes potencias como Inglaterra e Franca tinham uma forte influencia sobre boa parte do planeta e estavam sendo responsável pela transformação econômica do globo. Essa transformação ocorre devido a revolução industrial que teve inicio na Inglaterra e passou por três fazes.
A primeira Revolução Industrial que começou na Inglaterra no fim do século XVIII e depois se espalhou por todo o mundo, no século XIX, teve como principal marca, máquina a vapor, a indústria do aço, e o surgimento das ferrovias,começando assim modificar a vida do trabalhador.
Na segunda Revolução Industrial, que surgiu no século XIX, e é caracterizada pelo aparecimento do aço, energia elétrica, petróleo e indústria química, onde ocorre uma nova presença do trabalhador, não só pelas substituições, como pelas relações no mundo do trabalho, marcadas pela administração Ford.
A terceira Revolução Industrial caracteriza-se por uma acelerada transformação no campo tecnológico com conseqüências não só no mercado de consumo, como também, no modo de organização dos trabalhadores, no modo de produção e na qualificação necessária dos novos trabalhadores e nas relações sociais. Nesta fase surge a microeletrônica, a microbiologia e a energia nuclear, que leva a um grande desenvolvimento da humanidade, mas que a capacidade humana começa a ser substituída por autômatos que eliminam o trabalho humano na produção de serviços.

Processo Padrões

Postado por Ligia Galvão
*
FERROVIAS
Os processos e padrões sociais da mídia retratam os diversos novos dispositivos de comunicação, que foi chamada com certo exagero “a revolução da mídia do século XX”.
Iniciando com as ferrovias, pois com elas definiram o padrão de muitas coisas na arte, na literatura, na tecnologia, economia, política e administração. Apesar de que suas primeiras ferrovias foram feitas de forma precária e barata. Com isso houve um momento muito dramático das ferrovias norte-americana, que foi o marco dourado no chão, onde duas locomotivas se encontrariam, concretizando a primeira estrada transcontinental e houve comemoração que foi divulgada através de uma fotográfica de A.J. Russel, que somente circulou um mês depois do evento em forma de xilogravura.
Chicago tornou-se o maior centro ferroviário mundial com grande locomotiva que transportaria milhares de pessoas até a cidade. E com a chegada da ferrovia, o poeta Walt Whit chamou a ferrovia de realização dos sonhos de Colombo.
Na era do vapor as ferrovias não só demonstraram grande velocidade, como grande demanda por carvão e ferros, baixos custos, desenvolvimento, empregos em indústrias e novas comunidades.

*NAVIOS

Se as ferrovias foram descritas como “o ponto máximo alcançado pela civilização européia”, o mesmo foi dito sobre os navios a vapor. A estafante travessia do Atlântico tinha se tornado mais rápido com vapor. Sendo que o primeiro barco a fazer uma viagem oceânica navegou por mais de 20km em 1809. E vinte anos mais tarde um navio britânico a vapor completou a viagem em 18 dias e 10 horas. Após isso foram construídos vários outros navios até chegarem à construção do primeiro navio feito de aço e também o primeiro a ter luz elétrica.
Os franceses acreditam que, com a ligação entre os mares, à indústria e as comunicações poderiam transformar a história. Com a energia a vapor dando lugar a eletricidade e com “a mídia” no centro da atividade, as ruas começaram a ter luz elétrica antes das casas.

*CORREIOS

As ferrovias e os navios não transportavam somente pessoas e mercadorias, mas também cartas e cartões postais, um modo indispensável de comunicação, tanto nacional quanto internacional. E isso seria mais um estímulo para as pessoas aprenderem a ler e escrever. Depois passaram a enviar as cartas por carruagens e assim encurtar o tempo de viagem.

*TELÉGRAFOS

A telegrafia foi o primeiro grande avanço da área de eletricidade. O desenvolvimento do telégrafo estava intimamente associado ao desenvolvimento das ferrovias – método instantâneo de sinalização era necessário em linhas simples – embora houvesse alguns fios telegráficos que seguiam trilhos, não de ferrovias, mas de canais. Como os canais, ferrovias e ligações oceânicas, também o telégrafo ligou mercados nacionais e internacionais, como bolsas de valores e outras mercadorias (peixe, algodão e etc).
E com isso aumentou também a velocidade da transmissão de informações, pública e privada; local e regional; nacional e imperial; e isso foi seu efeito mais significativo. E as principais invenções na telegrafia e em vários países, não havia um inventor único.

*TELEFONE

O telefone tornou-se um instrumento de comunicação pública e privada.
Em 1876, alguns sugeriram que “não havia necessidade de telefone; a sociedade sempre passou bem sem ele”. O comentário jamais poderia ter sido feito sobre o telégrafo, era enganoso. No início foi recebido com receios e logo o telefone viria a se tornar uma “necessidade” para muitos, no trabalho e em casa e mais tarde surge o celular.
Bell havia concebido a idéia de transmitir sons orais por ondas elétricas, também o ensinamento da fala para surdos e idealizou um aparelho modelando a estrutura do ouvido.
No início a comunicação era só em um sentido e os primeiros prospectos de Bell afirmavam que “o telefone realmente fala e por isso poderá ser utilizado para quase todo objetivo no qual a palavra seja empregada”. Durante os primeiros anos muitos associavam o telefone ao entretenimento para audiências dispersas é a comunicação ponto a ponto entre indivíduos. Somente porque o telefone deve figurar mais importância que o telégrafo na pré-história.
Os primeiros assinantes de telefones recebiam longos fios flexíveis e dois fones de ouvidos e através do telefone poderiam ouvir programas diários, com notícias, jornais, palestras, esportes e até programas infantis.
Embora o sistema telefônico fosse diferente do telegráfico, o governo britânico decidiu por lei que o telefone era um telégrafo.

Que mentiras horríveis pelo fio elétrico
São lançadas! Que falsidades trazem seus choques!
Ah! É melhor ficar com o fato, que, em comparação,
Se arrasta pelo correio, tão lento,
Do que com a falsa calma que, como os relâmpagos, salta
E nos faz acreditar no que não é.

No entanto, havia uma concordância de que os telefones eram os “aliados da imprensa”. No caso dos EUA, estavam mais adiantados que os demais países na distribuição de telefones, vejamos abaixo:
EUA – 1 tel. – 60 pessoas
Suécia – 1 tel. – 215 pessoas
França – 1 tel. – 1.216 pessoas
Rússia – 1 tel. – 6.958 pessoas

Processo Padrões

RADIOTELEGRAFIA, CINEMA E TELEVISÃO

Postado Por Larissa Barros
Desde 1925 já existiam alguns trabalhos e experimentos feitos para iniciar a história da radiotelegráfica, no entanto foi com Guglielmo Marconi que esses desenvolvimentos tomou proporções maiores. Ele fundou uma companhia de telegrama, que planejava e vendia equipamentos sem fio a clientes comerciais e ao governo, sem esquecer que até mesmo a realeza da Inglaterra em 1897, utilizou um de seus equipamentos.
O rádio passou a ser utilizado nas casas primeiro nos Estados Unidos, em seguida na Grã-Bretanha e Holanda, havendo cerca de 122 clubes de transmissão sem fio na América. Em 1904, a radiotransmissão chegou às manchetes quando foi utilizada para divulgar a prisão de um assassino que fugia para o mar com sua amante. Anos mais tarde a Estação de Marconi que captou as mensagens de SOS do TITANIC.
Mais tarde começam a surgir mais companhias de rádio, como RCA e AT&T, com finalidades civis e a formação da Lei da Telegrafia sem fio. Com a criação da Lei, foram surgindo regras como licença para as transmissões. Inclusive a Companhia Marconi apesar de ter uma licença geral, foi proibida de transmitir conceitos sob alegação de interferir nas mensagens de defesa para os militares, porém devido a protestos essa decisão foi revogada.
Em 1906 Lee de Forest adicionou um terceiro eletrodo sob forma de uma tela entre o catodo e anodo, mais conhecido como a válvula a vácuo. Apesar desta última invenção ser patenteada pela empresa de Marconi, a Suprema Corte do EUA deu a Forest o direito exclusivo sobre sua invenção que possibilitou uma grande melhoria ao rádio, por isso era chamado de “o pai do rádio”.
Mais tarde a partir do pensamento de Sarnoff houve a radiodifusão, com o surgimento de uma enorme demanda de aparelhos de rádio e conseqüentemente de estações de transmissões.
Licenças:
Maio 1922 – 300 licenças
Dez. 1922 – 572 licenças

Aparelhos:
1922 – 100.000 aparelhos
1923 – 500.000 aparelhos
1925 – 5,5 milhões de aparelhos (somente nos EUA, praticamente metade do total mundial).
Essa radiodifusão contribui para expansão da publicidade, sendo chamada de Frank Arnold de “a quarta dimensão da propaganda”.
Para selar o estabelecimento da radiodifusão, a morte de Marconi em 20/06/1937 como um momento único na história onde praticamente todas as estações transmissoras do mundo permaneceram em silêncio durante um ou dois minutos em sua homenagem.


A história do cinema começou bem antes do desenvolvimento do rádio com Marconi, no entanto haveria interação entre rádio e televisão, transmissão de imagens e palavras. O desenvolvimento do cinema e da televisão dependia da câmera. Houve algumas criações anteriores, mas foi o francês Joseph Nicéphore que obteve maior sucesso produzindo a primeira “fotografia da vida”, por meio de “heliografia”.
A partir daí surgiram diversas imagens fotográficas: daguerreótipos (imagens precisas), calótipos ou desenhos fotogênicos (imagens mais delicadas). Mais tarde indústrias começaram a fabricar câmeras, tendo o mercado expandido por George Eastman, fabricando até hoje conhecida câmera kodak.
Kodak – “Aperte o botão, nós fazemos o resto”. Essas câmeras eram baratas e comparadas a posteriores eram atrasadas, podendo produzir somente cem imagens, tendo que ser devolvida a fábrica para ser novamente carregada e usada pelo consumidor.
Existia uma grande polêmica em torno da fotografia como forma de arte, que foi defendida por Fox Talbot, a fotógrafa Júlia Margaret Cameron mais conhecida como “Rembrandt da arte fotográfica inglesa”, o sueco Oscar Gustav Reijander entre outros.
Foi então em 1894 que Louis Lumiére apresentou seu “cinematógrafo” para o público de 35 pessoas no Grand Café, em Paris. Assim ele descobriu o cinema como meio de comunicação.
Em 1914, os Estados Unidos já estava em 2° lugar no mercado de exportação de filmes e Hollywood (o centro atual na produção cinematográfica) teria produzido seu primeiro filme. No entanto, apesar de estar no início das produções Hollywood já tinha suas estrelas, entre elas Charles Chaplin. Que em 1919 Charles fundou seu próprio estúdio e uma companhia. Alguns filmes produzidos por ele: *Em busca do outro (1928); *Tempos Modernos (1936).
Com o tempo foram surgindo várias empresas cinematográficas:
Wall Stret – Adolph zukor
Warner Brothers – primeiro filme falado em 1927 “O cantor de Jazz”
Walt Disney – Mickey Mouse
Com o desenvolvimento do cinema, os estudos para a criação da televisão foram alavancadas. No fim da década 1920, aparelhos de TV foram postos à venda.
No caso da televisão houve grandes batalhas em tribunais para se obter direitos e transmissões da televisão.

CONVERGÊNCIA


Postado por Thiago Queiroz

Com o advento dos avanços tecnológicos, ocorridos principalmente no século XX, a humanidade transformou-se drasticamente. E o principal elemento desta transformação foi a área de comunicação. Necessidade “básica” do ser humano, a comunicação, está presente desde os primórdios da humanidade. Dos antigos escritos em paredes de cavernas aos atuais mecanismos de comunicação, o homem busca interagir com o seu semelhante, informando e procurando receber informação.
Em tempos atuais, o domínio da informática norteia o rumo das comunicações, sendo a internet a sua principal ferramenta. Diante deste quadro, verificamos uma tendência cada vez mais pertinente ao mundo contemporâneo: a convergência. Palavra aplicada desde a década de 1990 para definir o que seria o desenvolvimento tecnológico voltado para a integração de textos, números, imagens, sons e diversos elementos mídiaticos. Citado no livro "Uma história social da mídia”, de Asa Briggs e Peter Burke, como um “casamento perfeito” entre os computadores e as telecomunicações.
Mas, afinal de que forma somos afetados com este fenômeno? Simplesmente em tudo! Mas será que não seria exagero dizer tudo? Em tempos atuais, não. Desde a fabricação de uma simples roupa ao controle do tráfego aéreo de um país, a convergência está presente como a principal protagonista do mundo das comunicações. Ao cidadão do século XXI, pode-se passar despercebido sobre a sua existência. Mas podemos identificá-la quando separamos seus principais elementos como, por exemplo, o telefone, o rádio, o correio, a imprensa, a televisão, entre outros. Cada um destes meios citados, tiveram a sua origem de formas diferenciadas, porém, com um objetivo em comum: comunicar. Com certeza, a grande “revolução” para a interação destes meios ocorreu com o a percepção do potencial da computação. Antes, considerados apenas como máquinas de calcular, os computadores exerceram, e ainda exercem, um papel fundamental, não somente para os canais de informação, mas para todos os tipos de serviços, que tomaram novas formas de utilização. A habilidade que a informatização possui em representar tudo digitalmente em “zeros” e “uns”, transformou os meios de comunicação. Com isso, consequentemente, o conteúdo não determinaria mais os meios de transmissão.
O rebuliço de um novo “mundo” que surgia, trouxe diversos questionamentos quanto as possíveis alterações que iria causar nas mídias tradicionais. Muitos afirmavam que a convergência iria eliminar meios como, por exemplo, o rádio, a imprensa e os correios. O que ocorreu foi justamente uma adaptação destes para a nova situação que surgia, eles foram “forçados” a se reformular. A mídia, sem dúvida, foi um dos principais focos da convergência. Contudo não foi o único. Nós, seres orgânicos também fomos modificados. No final da década de 1980, a American Markle Foundation colocou em seu Relatório Anual a seguinte afirmação:

“A convergência da mídia transformou as comunicações... À medida que novos serviços se tornam facilmente disponíveis, eles estão mudando a maneira como vivemos e trabalhamos, e alterando nossas percepções, crenças e instituições. É essencial entendermos esses efeitos para desenvolver nossos recursos eletrônicos em benefício da sociedade”.

Esta afirmação define simplesmente a relevância social deste tema, salientando que não podemos ignorar a amplitude social deste assunto.
Mas, afinal, qual foi o principal provedor, e também produto, desta convergência tecnológica? Sem sombra de dúvida, podemos afirmar que é a INTERNET. Esta rede tão conhecida atualmente, teve um início bastante curioso. Foi fundada em 1957, financiada inicialmente pelo governo Norte-americano, mais especificamente pelo Departamento de Defesa, como uma parte da resposta ao projeto SPUTINIK, da antiga União Soviética. Era chamada de ARPANET. O grande avanço só ocorreu entre setembro de 1993 e março de 1994, quando a já chamada internet, até então dedicada à pesquisa acadêmica, se tornou a rede das redes, abertas á todos.
A partir deste momento o mundo civil e comum conhecia a rede de computadores, a teia no qual modificaria o modo como todos se comunicariam. Onde tudo e todos estariam a qualquer momento e em qualquer lugar. E é através dela, que hoje em dia baseamos a nossa interação com o mundo. Seja por meio do telefone celular, da televisão, ou de outros mecanismos, podemos acessar a multi formas de interação. Nunca a globalização teve tanta conotação e sentido quanto nos últimos anos. A idéia de termos o mundo nas mãos se torna real, resumidos ao teclar de dedos. E a grande tendência é que estejamos, em um futuro não muito distante, conectados á grande rede 24hs por dia, nos informando e passando informações em tempo real, agindo e interagindo. Através de um ou mais mecanismos que nos permitam estarmos sempre on-line. Sejam todos bem-vindos ao século XXI, bem-vindos a era da convergência digital.

segunda-feira, 29 de outubro de 2007

Telégrafo causou impacto cultural igual a internet

Postado por Paulo Victor
Invento de Samuel Morse provocou uma revolução econômica e de costumes quando surgiu em meados do século 19
A idéia de transmitir mensagens através de sinais visuais ou sonoros é bem antiga. Tribos africanas usavam tambores e tribos norte-americanas usavam sinais de fumaça, sistema semelhante ao adotado pelos romanos. No vasto Império Romano, uma rede de comunicação via fumaça se estendia por cerca de 4.500 quilômetros. Em 1791, o clérigo e engenheiro francês Claude Chappe inventou um sistema telegráfico ótico, batizado de semáforo. Consistia de 120 torres que se estendiam em linha reta atravessando a França de norte a sul, entre Paris e uma ilha no Mediterrâneo. Em cada torre havia um funcionário do sistema, que avistava com um telescópio a mensagem transmitida por uma torre e a passava adiante, para o sinaleiro de outra torre. Consta que em uma hora a mensagem corria o país de ponta a ponta.No século XVII ocorreram as primeiras tentativas de uso eficiente da eletricidade na comunicação. Contudo, a primeira grande revolução das telecomunicações ocorreria apenas no século seguinte, por obra e graça de um artista plástico curioso e cheio de idéias. Samuel Morse, um pintor norte-americano, demonstrou o seu telégrafo em 1838 na Universidade de Nova York. Morse criou um código especial para seu invento, usado até hoje, o Código Morse, a primeira linguagem de máquinas da história. Em 1844 as primeiras linhas foram instaladas nos Estados Unidos, dando pela primeira vez um uso comercial para a eletricidade. Era um mundo já dançando ao ritmo das indústrias, trens e navios movidos a vapor. Um mundo que estava ficando menor e mais veloz.O impacto comercial, social e cultural do telégrafo à época em que começou a se espalhar pelo mundo foi algo igual ou até mais significativo do que o da internet de anos recentes. Tom Standage escreve em The Victorian Internet: The Remarkable Story of the Telegraph and the Nineteenth Century's On-Line Pioneers que a invenção deu origem a modelos de negócios e a novas empresas, acelerando o ritmo comercial da Inglaterra do século XIX. Ao mesmo tempo, como acontece atualmente via internet, novas formas de crime surgiram, assim como novas formas de relacionamentos interpessoal. Havia pessoas que até jogavam xadrez através do telégrafo, revela Standage.O invento demorou menos de uma década para chegar ao Brasil. Em 1852, por ordem do imperador D. Pedro II, um monarca apaixonado por ciências e novidades tecnológicas, Gilherme Schuch, o Barão de Capanema, outro curioso tecnófilo do Império, pôs a funcionar o Telégrafo Nacional, conectando o Palácio Império no Rio de Janeiro ao Quartel General do Exército. Inspiradas na instalação do primeiro cabo telegráfico submarino ligando os Estados Unidos à Europa (o primeiro sistema do gênero ligou a França à Inglaterra através do Canal da Mancha já em 1850), as autoridades brasileiras trataram de planejar algo semelhante para ligar nossos esquecidos rincões tropicais à Europa. Uma companhia inglesa lançou cabos nas águas do Atlântico entre Recife e Lisboa, em 1874. (Paulo Martinelli/ Da Agência Anhangüera)

sábado, 27 de outubro de 2007

OS GRANDES AVANÇOS TECNOLÓGICOS DA REVOLUÇÃO INDUSTRIAL







Na primeira metade do século os sistemas de transporte e de comunicação desencadearam as primeiras inovações com os primeiros barcos à vapor (Robert Fulton/1807) e locomotiva (Stephenson/1814), revestimentos de pedras nas estradas McAdam/1819), telégrafos (Morse/1836). As primeiras iniciativas no campo da eletricidade como a descoberta da lei da corrente elétrica (Ohm/1827) e do eletromagnetismo (Faraday/1831). Dá para imaginar a quantidade de mudanças que estes setores promoveram ou mesmo promoveriam num futuro próximo. As distâncias entre as pessoas, entre os países, entre os mercados se encurtariam. Os contatos mais regulares e freqüentes permitiriam uma maior aproximação de mundos tão distintos como o europeu e o asiático.No setor têxtil a concorrência entre ingleses e franceses permitiu o aperfeiçoamento de teares (Jacquard e Heilmann). O aço tornou-se uma das mais valorizadas matérias-primas. Em 1856 os fornos de Siemens-Martin, o processo Bessemer de transformação de ferro em aço. A indústria bélica sofreu significativo avanço ( como os Krupp na Alemanha) acompanhando a própria tecnologia metalúrgica.




A explosão tecnológica conheceu um ritmo ainda mais frenético com a energia elétrica e os motores a combustão interna. A energia elétrica aplicada aos motores, a partir do desenvolvimento do dínamo, deu um novo impulso industrial. Movimentar máquinas, iluminar ruas e residências, impulsionar bondes. Os meios de transporte se sofisticam com navios mais velozes. Hidrelétricas aumentavam, o telefone dava novos contornos à comunicação (Bell/1876), o rádio (Curie e Sklodowska/1898), o telégrafo sem fio (Marconi/1895), o primeiro cinematógrafo (irmãos Lumière/1894) eram sinais evidentes da nova era industrial consolidada.E, não podemos deixar de lado, a invenção do automóvel movido à gasolina (Daimler e Benz/1885) que geraria tantas mudanças no modo de vida das grandes cidades. O motor à diesel (Diesel/1897) e os dirigíveis aéreos revolucionavam os limites da imaginação criativa e a tecnologia avançava a passos largos.




A indústria química também tornou-se um importante setor de ponta no campo fabril. A obtenção de matérias primas sintéticas a partir dos subprodutos do carvão - nitrogênio e fosfatos. Corantes, fertilizantes, plásticos, explosivos, etc.Entrava-se no século XX com a visão de universo totalmente transformada pelas possibilidades que se apresentavam pelo avanço tecnológico.
Postado por: Srta° Lígia Galvão.

sexta-feira, 26 de outubro de 2007

DO VAPOR Á ELETRICIDADE

Revolução Industrial
A máquina a vapor e a eletricidade

Início
Inglaterra - século XVIII.

Características
Produção industrial em larga escala voltada para o mercado mundial.
Uso intensivo de máquinas - mecanização da indústria.

Construção de estradas de ferro, locomotivas, vagões, navios e máquinas industriais.

Personagens
Thomas Newcomen , James Watt , George Stephenson, Matthew Boulton, Alessandro Volta e Thomas Edison.

George Stephenson
Alessandro Volta
Thomas Edison

Datas e Fatos Importantes
1698 - Newcomen inventa uma máquina para drenar a água acumulada nas minas de carvão. Patenteada em 1705, foi a primeira máquina movida a vapor.

1765 - Watt aperfeiçoa o modelo de Newcomen. Seu invento deflagra a revolução industrial e serve de base para a mecanização de toda a indústria. Stephenson revoluciona os transportes com a invenção da locomotiva a vapor.

1785 - Boulton começa a construir as máquinas projetadas por Watt.

Conseqüências
Uso intensivo da eletricidade
Desenvolvimento da física, da química e dos processos industriais.

Novos Personagens
Lavoisier Boyle Buffon

Principais Inventos
Máquinas a vapor Telégrafo (1837) Locomotiva (1829) Fonógrafo (1877) Lâmpada incandescente (1878) Cinetoscópio (1891)

Postado por Carmen dos Humildes

MUNDO MUTANTE - PETER BURKE

Historiador Peter Burke analisa o fenômeno do efêmero, rejeita qualquer simplificação sobre a cultura global e acha cedo para se medir a extensão da “ciber-revolução”

Por Luciano Trigo

A história dos meios de comunicação, dos primórdios até o século 20, já foi tema de diversos livros, mas é raro encontrar uma obra tão concisa e fluente como História Social da Mídia: de Gutenberg à Internet, de Peter Burke e Asa Briggs, recém-lançado pela Jorge Zahar Editor.

Professor de História da Cultura na Universidade de Cambridge, Burke analisa os meios de comunicação, destacando os contextos sociais e culturais em que eles surgiram e se desenvolveram, além de traçar a história das diferentes mídias e das novas linguagens que elas criaram para a civilização ocidental – da invenção da prensa gráfica até a criação da Internet. Burke avalia os estudos dos meios de comunicação, da retórica ao ciberespaço, analisando a história da Europa no período que antecedeu a era moderna – da difusão da imprensa até as Revoluções Francesa e Inglesa.

Postado por Carmen dos Humildes

quinta-feira, 25 de outubro de 2007

MÍDIA E TECNOLOGIA: "CONVERGÊNCIA"

BURKE, Peter. Convergência. In: Uma história social da mídia. Trad. Maria Pádua Dias. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2004.

O texto “Convergência” de Peter Burke fala sobre a história da mídia, apresentando uma análise dos meios de comunicação no mundo ocidental sobre uma conjuntura cultural e social.

Burke aborda as novas linguagens das diferentes mídias no decorrer da história desde a invenção da imprensa até a atualidade. A civilização ocidental atual está inserida em um contexto midiático que através da inserção da tecnologia da informação, vem sendo mobilizada e persuadida pelas práticas da mídia.

Em “Uma história social da mídia”, especificamente o texto aqui estudado, Burke faz menção a cultura midiática e a difusão de idéias que precede a História da humanidade. A mídia tem afetado a vida dos indivíduos de maneira decisiva, transformando o dia-a-dia das pessoas diferenciado de gerações passadas.

Peter Burke em “Convergência” engloba a tecnologia, fala da história do computador e mostra como sua entrada na contemporaneidade possibilitou um enfoque maior na mídia. Ele aborda os avanços tecnológicos, enfatizando o sistema de televisão por assinatura e o campo da Internet e sua entrada na produção midiática.

Pode-se observar com clareza a complexidade que o autor aponta o assunto. Ele interage a tecnologia e as mudanças da vida cotidiana a partir desses avanços, sem esquecer de fazer referência ao lazer. Nesse aspecto, o autor abrange os jogos e programas de entretenimento tanto na televisão quanto na Internet.

O texto se torna complexo e difuso ao se referir a uma cibercultura e o modo de como o computador tem força nas práticas midiáticas. Essa questão que ele aborda está inserida no contexto das novas mídias.

A interferência da tecnologia já é algo tão vigente que a sociedade não podia mais se imaginar sem ela. Os avanços tecnológicos podem não ter alcançados todas as partes do mundo na prática, como se sabe existem lugares bastante precários onde as pessoas desconhecem esse contexto tecnológico.

Contudo, teoricamente, a tecnologia já alcançou “os quatro cantos do mundo” e não tem menção de parar sua transição na sociedade contemporânea.A discussão sobre a Internet é um ponto chave nesse texto. Burke faz referência aos demais meios de comunicação, que na verdade não ficaram de lado, mas deram espaço para os novos programas de computação.

Navegar na Internet através do televisor, ver filmes no computador, receber e-mails pelo celular são tecnologias atuais e que desafiam os limites da mídia. Essa tecnologia que deixa o outro cada vez mais perto um dos outros tem uma significância muito considerada nos atuais sistemas de comunicação.

Esse texto, assim como o texto de Elton Antunes “Mídia: um aro, um halo e um elo” no livro “Na mídia na rua: narrativas do cotidiano” faz alusão à mídia como um mecanismo de interação entre os membros da sociedade e a relação de ligação que possui a produção midiática com o padrão de vida da sociedade moderna comparada às gerações anteriores.

Esses autores falam de momentos da História da humanidade onde os avanços tomaram posse da vida social e é parte integrante do cotidiano do homem ocidental.

Quando o autor fala da possibilidade de desenvolver-se um ciberespaço apto a dominar o ambiente concreto e real da experiência humana, parece está mostrando cenas do filme Matrix, pois sugere a uma ilusão de algo do espaço ficcional sobrepujando o cenário real; a realidade do ser humano num jogo de vídeo-game, por exemplo.

Estudos culturais sobre o mundo real e o imaginário dão um imprescindível ensejo ávido à vida humana. O homem se imagina um ser superior, um ser mais do que simples matéria orgânica.

Sendo assim, o ciberespaço apesar de ser um contexto complexo e imperativo, não é visto tão distante assim da realidade moderna. A visão que o ser humano tem, é que se ele já conquistou até o espaço cósmico, pisando na Lua e outros avanços a mais, porque não conquistar o espaço irreal?

O texto de Burke dá uma expectativa e faz menção a uma questão de tempo e, se depender da vontade humana, esse dia chegará.

Lilian Daianne Bezerra Mota
Publicado no Recanto das Letras em 03/06/2007


Postado por Carmen dos Humildes

A INTERNET DENTRO DA HISTÓRIA SOCIAL DA MIDIA

A internet revoluciona o mundo ou o mundo usa a internet para se revolucionar? Livro “Uma história social da mídia, de Gutenberg à Internet”, tenta explicar.

O ovo ou a galinha? Me arrisquei em uma palestra a responder: o galinhovo ou ovolinha! Na verdade, a versão 1.0 desse animal, que foi evoluindo, em novas versões, até se separar em alguma dela e virar o que temos hoje: o ovo 2.0 e a galinha 2.0, que levamos para casa para assar e fazer omelete.O assunto veio à baila, pois cabe também perguntar: é a internet que revoluciona o mundo ou o mundo que usa a internet para se revolucionar?É um dos temas do ótimo livro “Uma história social da mídia, de Gutenberg à Internet”, de Asa Briggs e Peter Burke, da Zahar.Nele, se narra a mudança do mundo com a chegada da prensa, inventada por Gutemberg em 1450, que permitiu com a multiplicação de editoras a circulação em maior escala de jornais e livros.Um processo de mudança cultural, que resultou em diversas revoluções posteriores, tais como a Industrial, Francesa, Americana e a Russa, esta quase 400 anos depois.O autor considera que não se pode considerar a invenção do livro e dos jornais impressos como principal agente dessas mudanças, mas apenas um propiciador, na qual diversos interessados em transformar a sociedade se apoderaram de seus recursos para atingir seus objetivosNa verdade, se não houvesse jornal e livro, Lênin não teria lido lido Marx, que por sua vez não teria lido Hegel. E Lênin não teria publicado o Iskra (Faísca), jornal com o qual os bolcheviques espalharam suas idéias pelo antigo império.Ao ler o livro de Brig e Burke reforçamos ainda mais a idéia de que mudanças de paradigma de comunicação afetam profundamente a sociedade.Diferente de outras tecnologias que também mudam o planeta, mas ainda de uso restrito, como um foguete que, por enquanto, alguns poucos humanos ao espaço, a comunicação e a informação são ferramentas básicas para a sobrevivência da espécie para produzir e, portanto, comer, beber, morar e se alimentar.Se há uma nova possibilidade, pode, assim, fazer tudo isso de uma forma diferente, melhor, mais ágil e é logo difundida rapidamente, esbarrando claro nas resistências do poder estabelecido, como foi na época da proibição da publicação de livros em vários países, no século XVI e XVI como é hoje na China, que limita a internet.As novas tecnologias de comunicação e a informação, assim, marcam grandes eras na história da humanidade, a saber: o silêncio, os urros, a fala, a escrita, o livro, os meios de comunicação de massa e, agora, a internet.Nesse processo de rupturas e não de evolução, o ser humano na nova era vai maturando as diversas novas potencialidades do novo meio e dando a alguns revolucionários de plantão novas respostas possíveis, antes inviáveis, a velhas perguntas:

“por que será que isso é assim?”.Por que será que eu compro um CD inteiro quando quero apenas uma música?Por que será que eu pago tão caro para falar com meu primo no exterior?Por que será que eu tenho que sair de casa para comprar os livros que preciso para ir à escola?E por que será que não posso comparar os preços e ver qual é o mais barato?Por que será que eu não posse desenvolver livremente um software com os meus amigos e colocara para o planeta todo usar?E algo que já anda circulando pelo mundo:Por que será que eu voto em um parlamentar para decidir algo que agora já posso fazer de casa?Assim, podemos dizer que as mudanças na comunicação e informação são agentes condicionantes de alterações sociais. Sozinhas não geram nada, mas na relação do homem transformador com a nova técnica surge uma outra possibilidade, uma verdadeira neo-filosofia, uma jeito diferente de se olhar para o mundo, que permite, assim, resolver problemas antes insolúveis.E tudo entra em espiral galopante para cima.Vide os últimos 15 anos da rede. Assim, a Web 2.0 é, no fundo, o início da fase que a galinha (nova) sai do ovo (velho). Ou da galinha (velha) que gera um (novo) ovo. Os que querem mudar a sociedade estão que nem pinto no lixo!
Sobre o autor Carlos Nepomuceno (nepomuceno@pontonet.com.br)
é co-autor do livro Conhecimento em Rede (Editora Campus) e coordenador do ICO, Instituto de Inteligência Coletiva.


Postado por Carmen dos Humildes

Uma história social da mídia - Isabel Travancas 15/06/2004

O historiador inglês Peter Burke, em seu livro A fabricação do rei, no qual analisa a imagem pública de Luís XIV da França, declara: ‘O que me interessa quando escrevo sobre história é sobretudo a tarefa de fazer mediação entre duas culturas, entre o passado e o presente.’ É sobre a possibilidade desta mediação entre tempos e espaços distintos que trata seu novo livro Uma história social da mídia, escrito a quatro mãos com o pesquisador e reitor da Universidade Aberta Britânica, Asa Briggs. Briggs é autor de vários livros sobre radiodifusão. Burke é um pesquisador eclético, tem vários livros publicados no Brasil sobre temas variados como o Renascimento, a história do conhecimento, além do clássico sobre o Rei Sol. E não é apenas um visitante freqüente dos trópicos, como tem grande interesse por nossa história.

Uma história social da mídia é uma obra de fôlego. Procura abarcar a comunicação no mundo ocidental do século 15 aos nossos dias.

Sabiamente os autores apontam, já no título, para a idéia de que essa é ‘uma’ história, não é a única, reforçando as escolhas que realizaram nesta seleção de eventos e reflexões. Outro ponto importante que Burke e Briggs enfatizam desde a introdução é o uso do conceito de mídia.

Explicam que ele apareceu a primeira vez na década de 20, mas que eles irão usá-lo indistintamente desde a Bíblia de Gutenberg, porque entendem que o interesse pelos meios de comunicação é muito anterior ao aparecimento desta noção.

A obra, dividida em seis capítulos, tem diversas imagens que não apenas ilustram, mas fazem o texto respirar, uma vez que seu conteúdo é denso. O que não significa uma escrita árdua ou difícil para o leitor menos habituado com textos acadêmicos. Uma história social da mídia é contada nos seus detalhes, com suas peculiaridades e anedotas. Por trás delas está uma pesquisa minuciosa e aprofundada de cada inovação e seu contexto.

Os dois pesquisadores tiveram o cuidado de demarcar bem seus territórios, o que não acontece com freqüência em livros escritos em conjunto. A introdução e os dois primeiros capítulos são de autoria de Burke e os restantes e a conclusão são de Briggs. Ainda que esta divisão não comprometa o desenrolar do livro, fica evidente a marca e as diferenças de cada um deles.

Um dos méritos de um livro com estas dimensões e propósitos é não apresentar uma história de fatos e acontecimentos ou de invenções e inovações. À medida que vão entrando em cena novos elementos, seu contexto é apresentado, sem ênfase em alterações bruscas e irreversíveis.

Como eles mesmos destacam: ‘Pensar em termos de um sistema de mídia significa enfatizar a divisão de trabalho entre os diferentes meios de comunicação disponíveis em um certo lugar e em um determinado tempo, sem esquecer que a velha e a nova mídia podem e realmente coexistem, e que diferentes meios de comunicação podem competir entre si ou imitar um ao outro, bem como se complementar.’ Esta preocupação está presente desde o surgimento da imprensa e sua relação com os manuscritos. Estes continuaram a ser usados para comunicações específicas. Lógica que se repete ao lembrarmos do surgimento do rádio, que, para muitos, ameaçaria os jornais - raciocínio que se repetiu com a invenção da televisão e que se perpetua com a entrada em cena da internet.

Os dois primeiros capítulos do livro abordam as transformações sofridas pela mídia desde a impressão gráfica no século 15 até a Europa Moderna. Burke fala das mudanças na forma de leitura, a relação entre divulgação oral e impressa, os acontecimentos políticos e sociais como a Reforma, as guerras religiosas, o Iluminismo e a Revolução Francesa. Para o historiador, neste movimento a participação do povo foi tanto causa quanto consequência da atuação da mídia. É sabido que o movimento político foi bom para a imprensa. Havia um grande número de notícias e as publicações se multiplicaram neste período, ainda que, como lembra Burke, em 1789 a maioria do povo francês não soubesse ler.

A questão da constituição de uma esfera pública nos termos de J. Habermas é o tema da discussão que fecha esta etapa do livro. O historiador procura trabalhar tanto a favor quanto contra a idéia do pensador alemão. Para Burke, contrariando Habermas, é possível pensar em esfera pública nos séculos 16 e 17. Ele enfatiza a sua fraqueza estrutural nos antigos regimes, distinguindo dois tipos de esfera pública: o temporário e o permanente, ou o estrutural e o conjuntural. Este é um dos pontos altos do livro, que em alguns momentos se excede em minúcias e exagera na quantidade de informação, condensando épocas e complexidades.

Essa falha se acentua no terceiro capítulo e em parte do quarto, escritos por Asa Briggs e que tratam das inovações decorrentes da Revolução Industrial, principalmente na área de transportes com o aparecimento do motor a vapor. Para Briggs, este é ‘o grande marco da história humana’ e trouxe implicações para a própria produção dos jornais que passaram a ser impressos mais tarde e trazer notícias mais recentes.

Em seguida, ele trata da invenção do transistor eletrônico, de como a própria relação com o tempo se modifica ao longo deste processo. O pesquisador talvez se entusiasme demais com a história das ferrovias, navios, correio, telégrafos, telefones e radiotelegrafia, esmiuçando detalhes que muitas vezes distanciam o leitor do objetivo principal do autor: relacionar estas novas máquinas e sistemas com a própria mídia.

Os dois últimos capítulos do livro são o filé mignon do trabalho dos dois historiadores, por estarem mais próximos do leitor na sua viagem no tempo - abordam os séculos 19 e 20 -- e por dialogarem com autores fundamentais para a discussão sobre a indústria cultural e os meios de comunicação de massa, tendo em mente o acesso à informação e à melhoria da educação. Isso sem deixar de lado o poder destes meios e o seu papel na formação da opinião pública. Não por acaso, os autores citam uma fala de uma personagem do romance Coningsby, de Bejamin Disraeli, que afirma: ‘Deus fez o homem à sua própria imagem, mas a do público é feita pelos jornais.’

Tanto Burke quanto Briggs são cuidadosos ao se referirem à influência dos meios de comunicação de massa sobre os indivíduos. Eles apontam para o exagero da perspectiva dos pensadores da Escola de Frankfurt que demonizam a mídia, mas não negligenciam sua força. E, mesmo que rapidamente, os autores lembram de O público e a multidão, obra de Gabriel Tarde, hoje ausente das discussões e trabalhos sobre mídia.
O último capítulo intitulado ‘Convergência’ trata da tecnologia e traz uma história do computador, que, mesmo breve, é importante. Busca, ainda, sistematizar a discussão sobre a internet, a introdução do cabo nos sistemas televisivos e o avanço tecnológico que significou o computador de uso pessoal. Briggs não se esquece da dimensão do lazer, abordando os jogos e programas de diversão. Também não se deixa fascinar pela tecnologia, chamando a atenção para a questão do conteúdo das novas mídias, muitas vezes deixada de lado pelo entusiastas destas novidades.

Burke e Briggs finalizam a obra, que tem tudo para se tornar uma referência para estudiosos do tema, ressaltando que não houve um caminho único de desenvolvimento e que a principal característica dos fenômenos estudados é a complexidade. Complexidade que a aponta para a idéia de realimentação presente nas ciberviagens, mas que não pode, nem deve, ser exclusiva delas. Afinal, como salientam os autores, vivemos em um mundo onde há mais mediação do que em qualquer outro momento da história."

Postado por Carmen dos Humildes