quinta-feira, 25 de outubro de 2007

A INTERNET DENTRO DA HISTÓRIA SOCIAL DA MIDIA

A internet revoluciona o mundo ou o mundo usa a internet para se revolucionar? Livro “Uma história social da mídia, de Gutenberg à Internet”, tenta explicar.

O ovo ou a galinha? Me arrisquei em uma palestra a responder: o galinhovo ou ovolinha! Na verdade, a versão 1.0 desse animal, que foi evoluindo, em novas versões, até se separar em alguma dela e virar o que temos hoje: o ovo 2.0 e a galinha 2.0, que levamos para casa para assar e fazer omelete.O assunto veio à baila, pois cabe também perguntar: é a internet que revoluciona o mundo ou o mundo que usa a internet para se revolucionar?É um dos temas do ótimo livro “Uma história social da mídia, de Gutenberg à Internet”, de Asa Briggs e Peter Burke, da Zahar.Nele, se narra a mudança do mundo com a chegada da prensa, inventada por Gutemberg em 1450, que permitiu com a multiplicação de editoras a circulação em maior escala de jornais e livros.Um processo de mudança cultural, que resultou em diversas revoluções posteriores, tais como a Industrial, Francesa, Americana e a Russa, esta quase 400 anos depois.O autor considera que não se pode considerar a invenção do livro e dos jornais impressos como principal agente dessas mudanças, mas apenas um propiciador, na qual diversos interessados em transformar a sociedade se apoderaram de seus recursos para atingir seus objetivosNa verdade, se não houvesse jornal e livro, Lênin não teria lido lido Marx, que por sua vez não teria lido Hegel. E Lênin não teria publicado o Iskra (Faísca), jornal com o qual os bolcheviques espalharam suas idéias pelo antigo império.Ao ler o livro de Brig e Burke reforçamos ainda mais a idéia de que mudanças de paradigma de comunicação afetam profundamente a sociedade.Diferente de outras tecnologias que também mudam o planeta, mas ainda de uso restrito, como um foguete que, por enquanto, alguns poucos humanos ao espaço, a comunicação e a informação são ferramentas básicas para a sobrevivência da espécie para produzir e, portanto, comer, beber, morar e se alimentar.Se há uma nova possibilidade, pode, assim, fazer tudo isso de uma forma diferente, melhor, mais ágil e é logo difundida rapidamente, esbarrando claro nas resistências do poder estabelecido, como foi na época da proibição da publicação de livros em vários países, no século XVI e XVI como é hoje na China, que limita a internet.As novas tecnologias de comunicação e a informação, assim, marcam grandes eras na história da humanidade, a saber: o silêncio, os urros, a fala, a escrita, o livro, os meios de comunicação de massa e, agora, a internet.Nesse processo de rupturas e não de evolução, o ser humano na nova era vai maturando as diversas novas potencialidades do novo meio e dando a alguns revolucionários de plantão novas respostas possíveis, antes inviáveis, a velhas perguntas:

“por que será que isso é assim?”.Por que será que eu compro um CD inteiro quando quero apenas uma música?Por que será que eu pago tão caro para falar com meu primo no exterior?Por que será que eu tenho que sair de casa para comprar os livros que preciso para ir à escola?E por que será que não posso comparar os preços e ver qual é o mais barato?Por que será que eu não posse desenvolver livremente um software com os meus amigos e colocara para o planeta todo usar?E algo que já anda circulando pelo mundo:Por que será que eu voto em um parlamentar para decidir algo que agora já posso fazer de casa?Assim, podemos dizer que as mudanças na comunicação e informação são agentes condicionantes de alterações sociais. Sozinhas não geram nada, mas na relação do homem transformador com a nova técnica surge uma outra possibilidade, uma verdadeira neo-filosofia, uma jeito diferente de se olhar para o mundo, que permite, assim, resolver problemas antes insolúveis.E tudo entra em espiral galopante para cima.Vide os últimos 15 anos da rede. Assim, a Web 2.0 é, no fundo, o início da fase que a galinha (nova) sai do ovo (velho). Ou da galinha (velha) que gera um (novo) ovo. Os que querem mudar a sociedade estão que nem pinto no lixo!
Sobre o autor Carlos Nepomuceno (nepomuceno@pontonet.com.br)
é co-autor do livro Conhecimento em Rede (Editora Campus) e coordenador do ICO, Instituto de Inteligência Coletiva.


Postado por Carmen dos Humildes

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