segunda-feira, 29 de outubro de 2007

Telégrafo causou impacto cultural igual a internet

Postado por Paulo Victor
Invento de Samuel Morse provocou uma revolução econômica e de costumes quando surgiu em meados do século 19
A idéia de transmitir mensagens através de sinais visuais ou sonoros é bem antiga. Tribos africanas usavam tambores e tribos norte-americanas usavam sinais de fumaça, sistema semelhante ao adotado pelos romanos. No vasto Império Romano, uma rede de comunicação via fumaça se estendia por cerca de 4.500 quilômetros. Em 1791, o clérigo e engenheiro francês Claude Chappe inventou um sistema telegráfico ótico, batizado de semáforo. Consistia de 120 torres que se estendiam em linha reta atravessando a França de norte a sul, entre Paris e uma ilha no Mediterrâneo. Em cada torre havia um funcionário do sistema, que avistava com um telescópio a mensagem transmitida por uma torre e a passava adiante, para o sinaleiro de outra torre. Consta que em uma hora a mensagem corria o país de ponta a ponta.No século XVII ocorreram as primeiras tentativas de uso eficiente da eletricidade na comunicação. Contudo, a primeira grande revolução das telecomunicações ocorreria apenas no século seguinte, por obra e graça de um artista plástico curioso e cheio de idéias. Samuel Morse, um pintor norte-americano, demonstrou o seu telégrafo em 1838 na Universidade de Nova York. Morse criou um código especial para seu invento, usado até hoje, o Código Morse, a primeira linguagem de máquinas da história. Em 1844 as primeiras linhas foram instaladas nos Estados Unidos, dando pela primeira vez um uso comercial para a eletricidade. Era um mundo já dançando ao ritmo das indústrias, trens e navios movidos a vapor. Um mundo que estava ficando menor e mais veloz.O impacto comercial, social e cultural do telégrafo à época em que começou a se espalhar pelo mundo foi algo igual ou até mais significativo do que o da internet de anos recentes. Tom Standage escreve em The Victorian Internet: The Remarkable Story of the Telegraph and the Nineteenth Century's On-Line Pioneers que a invenção deu origem a modelos de negócios e a novas empresas, acelerando o ritmo comercial da Inglaterra do século XIX. Ao mesmo tempo, como acontece atualmente via internet, novas formas de crime surgiram, assim como novas formas de relacionamentos interpessoal. Havia pessoas que até jogavam xadrez através do telégrafo, revela Standage.O invento demorou menos de uma década para chegar ao Brasil. Em 1852, por ordem do imperador D. Pedro II, um monarca apaixonado por ciências e novidades tecnológicas, Gilherme Schuch, o Barão de Capanema, outro curioso tecnófilo do Império, pôs a funcionar o Telégrafo Nacional, conectando o Palácio Império no Rio de Janeiro ao Quartel General do Exército. Inspiradas na instalação do primeiro cabo telegráfico submarino ligando os Estados Unidos à Europa (o primeiro sistema do gênero ligou a França à Inglaterra através do Canal da Mancha já em 1850), as autoridades brasileiras trataram de planejar algo semelhante para ligar nossos esquecidos rincões tropicais à Europa. Uma companhia inglesa lançou cabos nas águas do Atlântico entre Recife e Lisboa, em 1874. (Paulo Martinelli/ Da Agência Anhangüera)

sábado, 27 de outubro de 2007

OS GRANDES AVANÇOS TECNOLÓGICOS DA REVOLUÇÃO INDUSTRIAL







Na primeira metade do século os sistemas de transporte e de comunicação desencadearam as primeiras inovações com os primeiros barcos à vapor (Robert Fulton/1807) e locomotiva (Stephenson/1814), revestimentos de pedras nas estradas McAdam/1819), telégrafos (Morse/1836). As primeiras iniciativas no campo da eletricidade como a descoberta da lei da corrente elétrica (Ohm/1827) e do eletromagnetismo (Faraday/1831). Dá para imaginar a quantidade de mudanças que estes setores promoveram ou mesmo promoveriam num futuro próximo. As distâncias entre as pessoas, entre os países, entre os mercados se encurtariam. Os contatos mais regulares e freqüentes permitiriam uma maior aproximação de mundos tão distintos como o europeu e o asiático.No setor têxtil a concorrência entre ingleses e franceses permitiu o aperfeiçoamento de teares (Jacquard e Heilmann). O aço tornou-se uma das mais valorizadas matérias-primas. Em 1856 os fornos de Siemens-Martin, o processo Bessemer de transformação de ferro em aço. A indústria bélica sofreu significativo avanço ( como os Krupp na Alemanha) acompanhando a própria tecnologia metalúrgica.




A explosão tecnológica conheceu um ritmo ainda mais frenético com a energia elétrica e os motores a combustão interna. A energia elétrica aplicada aos motores, a partir do desenvolvimento do dínamo, deu um novo impulso industrial. Movimentar máquinas, iluminar ruas e residências, impulsionar bondes. Os meios de transporte se sofisticam com navios mais velozes. Hidrelétricas aumentavam, o telefone dava novos contornos à comunicação (Bell/1876), o rádio (Curie e Sklodowska/1898), o telégrafo sem fio (Marconi/1895), o primeiro cinematógrafo (irmãos Lumière/1894) eram sinais evidentes da nova era industrial consolidada.E, não podemos deixar de lado, a invenção do automóvel movido à gasolina (Daimler e Benz/1885) que geraria tantas mudanças no modo de vida das grandes cidades. O motor à diesel (Diesel/1897) e os dirigíveis aéreos revolucionavam os limites da imaginação criativa e a tecnologia avançava a passos largos.




A indústria química também tornou-se um importante setor de ponta no campo fabril. A obtenção de matérias primas sintéticas a partir dos subprodutos do carvão - nitrogênio e fosfatos. Corantes, fertilizantes, plásticos, explosivos, etc.Entrava-se no século XX com a visão de universo totalmente transformada pelas possibilidades que se apresentavam pelo avanço tecnológico.
Postado por: Srta° Lígia Galvão.

sexta-feira, 26 de outubro de 2007

DO VAPOR Á ELETRICIDADE

Revolução Industrial
A máquina a vapor e a eletricidade

Início
Inglaterra - século XVIII.

Características
Produção industrial em larga escala voltada para o mercado mundial.
Uso intensivo de máquinas - mecanização da indústria.

Construção de estradas de ferro, locomotivas, vagões, navios e máquinas industriais.

Personagens
Thomas Newcomen , James Watt , George Stephenson, Matthew Boulton, Alessandro Volta e Thomas Edison.

George Stephenson
Alessandro Volta
Thomas Edison

Datas e Fatos Importantes
1698 - Newcomen inventa uma máquina para drenar a água acumulada nas minas de carvão. Patenteada em 1705, foi a primeira máquina movida a vapor.

1765 - Watt aperfeiçoa o modelo de Newcomen. Seu invento deflagra a revolução industrial e serve de base para a mecanização de toda a indústria. Stephenson revoluciona os transportes com a invenção da locomotiva a vapor.

1785 - Boulton começa a construir as máquinas projetadas por Watt.

Conseqüências
Uso intensivo da eletricidade
Desenvolvimento da física, da química e dos processos industriais.

Novos Personagens
Lavoisier Boyle Buffon

Principais Inventos
Máquinas a vapor Telégrafo (1837) Locomotiva (1829) Fonógrafo (1877) Lâmpada incandescente (1878) Cinetoscópio (1891)

Postado por Carmen dos Humildes

MUNDO MUTANTE - PETER BURKE

Historiador Peter Burke analisa o fenômeno do efêmero, rejeita qualquer simplificação sobre a cultura global e acha cedo para se medir a extensão da “ciber-revolução”

Por Luciano Trigo

A história dos meios de comunicação, dos primórdios até o século 20, já foi tema de diversos livros, mas é raro encontrar uma obra tão concisa e fluente como História Social da Mídia: de Gutenberg à Internet, de Peter Burke e Asa Briggs, recém-lançado pela Jorge Zahar Editor.

Professor de História da Cultura na Universidade de Cambridge, Burke analisa os meios de comunicação, destacando os contextos sociais e culturais em que eles surgiram e se desenvolveram, além de traçar a história das diferentes mídias e das novas linguagens que elas criaram para a civilização ocidental – da invenção da prensa gráfica até a criação da Internet. Burke avalia os estudos dos meios de comunicação, da retórica ao ciberespaço, analisando a história da Europa no período que antecedeu a era moderna – da difusão da imprensa até as Revoluções Francesa e Inglesa.

Postado por Carmen dos Humildes

quinta-feira, 25 de outubro de 2007

MÍDIA E TECNOLOGIA: "CONVERGÊNCIA"

BURKE, Peter. Convergência. In: Uma história social da mídia. Trad. Maria Pádua Dias. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2004.

O texto “Convergência” de Peter Burke fala sobre a história da mídia, apresentando uma análise dos meios de comunicação no mundo ocidental sobre uma conjuntura cultural e social.

Burke aborda as novas linguagens das diferentes mídias no decorrer da história desde a invenção da imprensa até a atualidade. A civilização ocidental atual está inserida em um contexto midiático que através da inserção da tecnologia da informação, vem sendo mobilizada e persuadida pelas práticas da mídia.

Em “Uma história social da mídia”, especificamente o texto aqui estudado, Burke faz menção a cultura midiática e a difusão de idéias que precede a História da humanidade. A mídia tem afetado a vida dos indivíduos de maneira decisiva, transformando o dia-a-dia das pessoas diferenciado de gerações passadas.

Peter Burke em “Convergência” engloba a tecnologia, fala da história do computador e mostra como sua entrada na contemporaneidade possibilitou um enfoque maior na mídia. Ele aborda os avanços tecnológicos, enfatizando o sistema de televisão por assinatura e o campo da Internet e sua entrada na produção midiática.

Pode-se observar com clareza a complexidade que o autor aponta o assunto. Ele interage a tecnologia e as mudanças da vida cotidiana a partir desses avanços, sem esquecer de fazer referência ao lazer. Nesse aspecto, o autor abrange os jogos e programas de entretenimento tanto na televisão quanto na Internet.

O texto se torna complexo e difuso ao se referir a uma cibercultura e o modo de como o computador tem força nas práticas midiáticas. Essa questão que ele aborda está inserida no contexto das novas mídias.

A interferência da tecnologia já é algo tão vigente que a sociedade não podia mais se imaginar sem ela. Os avanços tecnológicos podem não ter alcançados todas as partes do mundo na prática, como se sabe existem lugares bastante precários onde as pessoas desconhecem esse contexto tecnológico.

Contudo, teoricamente, a tecnologia já alcançou “os quatro cantos do mundo” e não tem menção de parar sua transição na sociedade contemporânea.A discussão sobre a Internet é um ponto chave nesse texto. Burke faz referência aos demais meios de comunicação, que na verdade não ficaram de lado, mas deram espaço para os novos programas de computação.

Navegar na Internet através do televisor, ver filmes no computador, receber e-mails pelo celular são tecnologias atuais e que desafiam os limites da mídia. Essa tecnologia que deixa o outro cada vez mais perto um dos outros tem uma significância muito considerada nos atuais sistemas de comunicação.

Esse texto, assim como o texto de Elton Antunes “Mídia: um aro, um halo e um elo” no livro “Na mídia na rua: narrativas do cotidiano” faz alusão à mídia como um mecanismo de interação entre os membros da sociedade e a relação de ligação que possui a produção midiática com o padrão de vida da sociedade moderna comparada às gerações anteriores.

Esses autores falam de momentos da História da humanidade onde os avanços tomaram posse da vida social e é parte integrante do cotidiano do homem ocidental.

Quando o autor fala da possibilidade de desenvolver-se um ciberespaço apto a dominar o ambiente concreto e real da experiência humana, parece está mostrando cenas do filme Matrix, pois sugere a uma ilusão de algo do espaço ficcional sobrepujando o cenário real; a realidade do ser humano num jogo de vídeo-game, por exemplo.

Estudos culturais sobre o mundo real e o imaginário dão um imprescindível ensejo ávido à vida humana. O homem se imagina um ser superior, um ser mais do que simples matéria orgânica.

Sendo assim, o ciberespaço apesar de ser um contexto complexo e imperativo, não é visto tão distante assim da realidade moderna. A visão que o ser humano tem, é que se ele já conquistou até o espaço cósmico, pisando na Lua e outros avanços a mais, porque não conquistar o espaço irreal?

O texto de Burke dá uma expectativa e faz menção a uma questão de tempo e, se depender da vontade humana, esse dia chegará.

Lilian Daianne Bezerra Mota
Publicado no Recanto das Letras em 03/06/2007


Postado por Carmen dos Humildes

A INTERNET DENTRO DA HISTÓRIA SOCIAL DA MIDIA

A internet revoluciona o mundo ou o mundo usa a internet para se revolucionar? Livro “Uma história social da mídia, de Gutenberg à Internet”, tenta explicar.

O ovo ou a galinha? Me arrisquei em uma palestra a responder: o galinhovo ou ovolinha! Na verdade, a versão 1.0 desse animal, que foi evoluindo, em novas versões, até se separar em alguma dela e virar o que temos hoje: o ovo 2.0 e a galinha 2.0, que levamos para casa para assar e fazer omelete.O assunto veio à baila, pois cabe também perguntar: é a internet que revoluciona o mundo ou o mundo que usa a internet para se revolucionar?É um dos temas do ótimo livro “Uma história social da mídia, de Gutenberg à Internet”, de Asa Briggs e Peter Burke, da Zahar.Nele, se narra a mudança do mundo com a chegada da prensa, inventada por Gutemberg em 1450, que permitiu com a multiplicação de editoras a circulação em maior escala de jornais e livros.Um processo de mudança cultural, que resultou em diversas revoluções posteriores, tais como a Industrial, Francesa, Americana e a Russa, esta quase 400 anos depois.O autor considera que não se pode considerar a invenção do livro e dos jornais impressos como principal agente dessas mudanças, mas apenas um propiciador, na qual diversos interessados em transformar a sociedade se apoderaram de seus recursos para atingir seus objetivosNa verdade, se não houvesse jornal e livro, Lênin não teria lido lido Marx, que por sua vez não teria lido Hegel. E Lênin não teria publicado o Iskra (Faísca), jornal com o qual os bolcheviques espalharam suas idéias pelo antigo império.Ao ler o livro de Brig e Burke reforçamos ainda mais a idéia de que mudanças de paradigma de comunicação afetam profundamente a sociedade.Diferente de outras tecnologias que também mudam o planeta, mas ainda de uso restrito, como um foguete que, por enquanto, alguns poucos humanos ao espaço, a comunicação e a informação são ferramentas básicas para a sobrevivência da espécie para produzir e, portanto, comer, beber, morar e se alimentar.Se há uma nova possibilidade, pode, assim, fazer tudo isso de uma forma diferente, melhor, mais ágil e é logo difundida rapidamente, esbarrando claro nas resistências do poder estabelecido, como foi na época da proibição da publicação de livros em vários países, no século XVI e XVI como é hoje na China, que limita a internet.As novas tecnologias de comunicação e a informação, assim, marcam grandes eras na história da humanidade, a saber: o silêncio, os urros, a fala, a escrita, o livro, os meios de comunicação de massa e, agora, a internet.Nesse processo de rupturas e não de evolução, o ser humano na nova era vai maturando as diversas novas potencialidades do novo meio e dando a alguns revolucionários de plantão novas respostas possíveis, antes inviáveis, a velhas perguntas:

“por que será que isso é assim?”.Por que será que eu compro um CD inteiro quando quero apenas uma música?Por que será que eu pago tão caro para falar com meu primo no exterior?Por que será que eu tenho que sair de casa para comprar os livros que preciso para ir à escola?E por que será que não posso comparar os preços e ver qual é o mais barato?Por que será que eu não posse desenvolver livremente um software com os meus amigos e colocara para o planeta todo usar?E algo que já anda circulando pelo mundo:Por que será que eu voto em um parlamentar para decidir algo que agora já posso fazer de casa?Assim, podemos dizer que as mudanças na comunicação e informação são agentes condicionantes de alterações sociais. Sozinhas não geram nada, mas na relação do homem transformador com a nova técnica surge uma outra possibilidade, uma verdadeira neo-filosofia, uma jeito diferente de se olhar para o mundo, que permite, assim, resolver problemas antes insolúveis.E tudo entra em espiral galopante para cima.Vide os últimos 15 anos da rede. Assim, a Web 2.0 é, no fundo, o início da fase que a galinha (nova) sai do ovo (velho). Ou da galinha (velha) que gera um (novo) ovo. Os que querem mudar a sociedade estão que nem pinto no lixo!
Sobre o autor Carlos Nepomuceno (nepomuceno@pontonet.com.br)
é co-autor do livro Conhecimento em Rede (Editora Campus) e coordenador do ICO, Instituto de Inteligência Coletiva.


Postado por Carmen dos Humildes

Uma história social da mídia - Isabel Travancas 15/06/2004

O historiador inglês Peter Burke, em seu livro A fabricação do rei, no qual analisa a imagem pública de Luís XIV da França, declara: ‘O que me interessa quando escrevo sobre história é sobretudo a tarefa de fazer mediação entre duas culturas, entre o passado e o presente.’ É sobre a possibilidade desta mediação entre tempos e espaços distintos que trata seu novo livro Uma história social da mídia, escrito a quatro mãos com o pesquisador e reitor da Universidade Aberta Britânica, Asa Briggs. Briggs é autor de vários livros sobre radiodifusão. Burke é um pesquisador eclético, tem vários livros publicados no Brasil sobre temas variados como o Renascimento, a história do conhecimento, além do clássico sobre o Rei Sol. E não é apenas um visitante freqüente dos trópicos, como tem grande interesse por nossa história.

Uma história social da mídia é uma obra de fôlego. Procura abarcar a comunicação no mundo ocidental do século 15 aos nossos dias.

Sabiamente os autores apontam, já no título, para a idéia de que essa é ‘uma’ história, não é a única, reforçando as escolhas que realizaram nesta seleção de eventos e reflexões. Outro ponto importante que Burke e Briggs enfatizam desde a introdução é o uso do conceito de mídia.

Explicam que ele apareceu a primeira vez na década de 20, mas que eles irão usá-lo indistintamente desde a Bíblia de Gutenberg, porque entendem que o interesse pelos meios de comunicação é muito anterior ao aparecimento desta noção.

A obra, dividida em seis capítulos, tem diversas imagens que não apenas ilustram, mas fazem o texto respirar, uma vez que seu conteúdo é denso. O que não significa uma escrita árdua ou difícil para o leitor menos habituado com textos acadêmicos. Uma história social da mídia é contada nos seus detalhes, com suas peculiaridades e anedotas. Por trás delas está uma pesquisa minuciosa e aprofundada de cada inovação e seu contexto.

Os dois pesquisadores tiveram o cuidado de demarcar bem seus territórios, o que não acontece com freqüência em livros escritos em conjunto. A introdução e os dois primeiros capítulos são de autoria de Burke e os restantes e a conclusão são de Briggs. Ainda que esta divisão não comprometa o desenrolar do livro, fica evidente a marca e as diferenças de cada um deles.

Um dos méritos de um livro com estas dimensões e propósitos é não apresentar uma história de fatos e acontecimentos ou de invenções e inovações. À medida que vão entrando em cena novos elementos, seu contexto é apresentado, sem ênfase em alterações bruscas e irreversíveis.

Como eles mesmos destacam: ‘Pensar em termos de um sistema de mídia significa enfatizar a divisão de trabalho entre os diferentes meios de comunicação disponíveis em um certo lugar e em um determinado tempo, sem esquecer que a velha e a nova mídia podem e realmente coexistem, e que diferentes meios de comunicação podem competir entre si ou imitar um ao outro, bem como se complementar.’ Esta preocupação está presente desde o surgimento da imprensa e sua relação com os manuscritos. Estes continuaram a ser usados para comunicações específicas. Lógica que se repete ao lembrarmos do surgimento do rádio, que, para muitos, ameaçaria os jornais - raciocínio que se repetiu com a invenção da televisão e que se perpetua com a entrada em cena da internet.

Os dois primeiros capítulos do livro abordam as transformações sofridas pela mídia desde a impressão gráfica no século 15 até a Europa Moderna. Burke fala das mudanças na forma de leitura, a relação entre divulgação oral e impressa, os acontecimentos políticos e sociais como a Reforma, as guerras religiosas, o Iluminismo e a Revolução Francesa. Para o historiador, neste movimento a participação do povo foi tanto causa quanto consequência da atuação da mídia. É sabido que o movimento político foi bom para a imprensa. Havia um grande número de notícias e as publicações se multiplicaram neste período, ainda que, como lembra Burke, em 1789 a maioria do povo francês não soubesse ler.

A questão da constituição de uma esfera pública nos termos de J. Habermas é o tema da discussão que fecha esta etapa do livro. O historiador procura trabalhar tanto a favor quanto contra a idéia do pensador alemão. Para Burke, contrariando Habermas, é possível pensar em esfera pública nos séculos 16 e 17. Ele enfatiza a sua fraqueza estrutural nos antigos regimes, distinguindo dois tipos de esfera pública: o temporário e o permanente, ou o estrutural e o conjuntural. Este é um dos pontos altos do livro, que em alguns momentos se excede em minúcias e exagera na quantidade de informação, condensando épocas e complexidades.

Essa falha se acentua no terceiro capítulo e em parte do quarto, escritos por Asa Briggs e que tratam das inovações decorrentes da Revolução Industrial, principalmente na área de transportes com o aparecimento do motor a vapor. Para Briggs, este é ‘o grande marco da história humana’ e trouxe implicações para a própria produção dos jornais que passaram a ser impressos mais tarde e trazer notícias mais recentes.

Em seguida, ele trata da invenção do transistor eletrônico, de como a própria relação com o tempo se modifica ao longo deste processo. O pesquisador talvez se entusiasme demais com a história das ferrovias, navios, correio, telégrafos, telefones e radiotelegrafia, esmiuçando detalhes que muitas vezes distanciam o leitor do objetivo principal do autor: relacionar estas novas máquinas e sistemas com a própria mídia.

Os dois últimos capítulos do livro são o filé mignon do trabalho dos dois historiadores, por estarem mais próximos do leitor na sua viagem no tempo - abordam os séculos 19 e 20 -- e por dialogarem com autores fundamentais para a discussão sobre a indústria cultural e os meios de comunicação de massa, tendo em mente o acesso à informação e à melhoria da educação. Isso sem deixar de lado o poder destes meios e o seu papel na formação da opinião pública. Não por acaso, os autores citam uma fala de uma personagem do romance Coningsby, de Bejamin Disraeli, que afirma: ‘Deus fez o homem à sua própria imagem, mas a do público é feita pelos jornais.’

Tanto Burke quanto Briggs são cuidadosos ao se referirem à influência dos meios de comunicação de massa sobre os indivíduos. Eles apontam para o exagero da perspectiva dos pensadores da Escola de Frankfurt que demonizam a mídia, mas não negligenciam sua força. E, mesmo que rapidamente, os autores lembram de O público e a multidão, obra de Gabriel Tarde, hoje ausente das discussões e trabalhos sobre mídia.
O último capítulo intitulado ‘Convergência’ trata da tecnologia e traz uma história do computador, que, mesmo breve, é importante. Busca, ainda, sistematizar a discussão sobre a internet, a introdução do cabo nos sistemas televisivos e o avanço tecnológico que significou o computador de uso pessoal. Briggs não se esquece da dimensão do lazer, abordando os jogos e programas de diversão. Também não se deixa fascinar pela tecnologia, chamando a atenção para a questão do conteúdo das novas mídias, muitas vezes deixada de lado pelo entusiastas destas novidades.

Burke e Briggs finalizam a obra, que tem tudo para se tornar uma referência para estudiosos do tema, ressaltando que não houve um caminho único de desenvolvimento e que a principal característica dos fenômenos estudados é a complexidade. Complexidade que a aponta para a idéia de realimentação presente nas ciberviagens, mas que não pode, nem deve, ser exclusiva delas. Afinal, como salientam os autores, vivemos em um mundo onde há mais mediação do que em qualquer outro momento da história."

Postado por Carmen dos Humildes